Transporte Público. Vai valer a pena!

Há boas novas quanto aos transportes públicos. Se assim se mantiverem as notícias sobre os mesmos, estaremos no bom caminho.

Muito se fala da urgente necessidade de descarbonização. Para isso é preciso uma política que não empurre as pessoas para a utilização do carro individual como opção única de deslocação para o trabalho, escola, lazer, serviços. Este é o momento em que é necessário dar a oportunidade aos portugueses de optarem pelas diversas formas de deslocação.

Os serviços públicos com o seu lado social devem também contribuir para um país mais saudável e menos sobrecarregado. Temos de dar primazia ao comboio, e, para isso, devolver as linhas ferroviárias ao território português é um passo que deverá ser acompanhado de um passo maior que será a criação de novas linhas ferroviárias. O comboio é um transporte seguro, eficiente e menos poluente.

Mas vamos ao ponto! Os preços dos passes mensais vão diminuir em todo o país e, já a partir de 1 de Abril, nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa. Os passes intermodais, nestes concelhos, em que a oferta de transportes vai desde o autocarro, ao metro, ao comboio, ao barco e ao eléctrico, foram a solução indispensável. Não é possível as pessoas viverem num concelho e trabalharem ou estudarem noutro e serem obrigadas a pagar mais do que um passe dependendo dos transportes que necessitam.

Estas vantagens foram possíveis graças à actual solução política que obriga o governo PS a aceitar medidas que se fosse maioria nunca implementaria. Estas medidas vieram demonstrar que a luta deve sempre fazer-se porque lá virá o dia em que a luta dará os seus frutos.

Uma medida que trará desafogo aos orçamentos familiares e que servirá ainda para trazer mais gente aos transportes – que, começando pelas áreas metropolitanas, arrastar-se-á a todos os concelhos, tão cedo quanto as entidades municipais e supramunicipais consigam implementá-la.

Tal não evita a necessidade de lutar pela implementação de transportes públicos nos municípios que não os têm, exigindo que as autarquias se empenhem em oferecer aos seus munícipes um plano de transportes adaptado às necessidades, reclamando, por outro lado, ao poder central os meios para cumprir esse serviço público.

Foi por isso a CDU se debateu nos últimos mandatos em Guimarães, para que o executivo PS levasse o transporte público a todas as freguesias. O plano municipal foi apresentado na passada quarta-feira, dia em que foi também apresentada a decisão de se promover o transporte público junto dos jovens, com passes gratuitos até ao secundário.

O caminho faz-se caminhando, ouvimos durante muitos anos, agora teremos que esperar pela concretização do que está já escrito em papel, mesmo que se perceba que os estudos terão sido feitos, as linhas novas pensadas. Porém parece que as Juntas de Freguesia – o órgão mais próximo dos munícipes – não foram tidos nem achados em todo este processo. Não será por acaso que, nesta mesma apresentação, quase todas as questões partiram de Presidentes de Junta que têm que responder aos seus fregueses e não sabem bem o que dizer porque desconhecem o plano.

Porém, repete-se, o caminho faz-se caminhando e é sempre necessário corrigir a mão, mesmo que se tenha que o fazer em público.

Nesta apresentação ficou por explicar se os novos veículos vão ser adaptados a pessoas com mobilidade reduzida e com carrinhos de bebés. Ficou também por explicar se as paragens de autocarro vão acompanhar a modernização destes veículos e facilitar a acessibilidade a todos. Questões que foram colocadas mas não foram respondidas, esperando nós que sejam ainda ponderadas e que se corrija o plano caso seja necessário.

Para já fica a certeza que daqui para a frente o transporte público tem que ser visto como um plano de futuro e que irá requerer muito investimento, porque não podemos querer fazer omeletas sem ovos. Mas vai valer a pena!

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.