Parabéns, Oficina!

 

Março de 1989 é, por ventura, um dos meses mais importantes da Guimarães que hoje conhecemos. É nesta data, que por agora passam 30 anos, que se funda “A Oficina”, régie-cooperativa municipal com o objetivo, à época, de defender as Artes e Mesteres vimaranenses.

Hoje “A Oficina” cresceu e afirma-se no panorama nacional como uma estrutura de produção e criação cultural de forte cariz contemporâneo, e com uma marca profunda especialmente nas artes performativas.

Se Guimarães é hoje o que conhecemos, deve-o em grande medida à Oficina e a todos aqueles que ajudaram a construí-la. A identidade vimaranense fora de portas, dê-se as voltas que se der, haja outras marcas com muita importância ou definam-se outras metas que procurem aprofundar a vivência e bem-estar dos locais, assenta na Cultura e Património.

Não falando sobre a parte patrimonial, porque para isso teria que ir até ao trabalho do GTL, Divisão de Centro Histórico, inúmeros técnicos e políticos com responsabilidade na área, centro-me naquilo que Guimarães se tornou para lá do seu edificado: a vertente contemporânea da produção, criação e apresentação de artes, espetáculos e cultura, no sentido mais lato.

A história da Oficina é, pois, tudo aquilo que está compreendido entre o momento que parte da decisão da sua criação, até aos primeiros colaboradores, ao projeto da ODIT e à Open Call participada por centenas de vimaranenses, a Cantarinha e os seus mestres, os bordados e as bordadeiras, milhares de espetáculos que trouxeram mais mundo a Guimarães, Guimarães Jazz, Festivais de Gil Vicente, Guidance ou Westway Lab.

É também um presente e um futuro, e o aprofundamento das relações com o território, com as suas associações e artistas, com as comunidades escolares e com o reforço quantitivo e qualitativo do Serviço Educativo e Mediação Cultural, ao mesmo tempo que ganha escala e importância nas redes internacionais que integra na área da música, dança ou circo contemporâneo.

São equipamentos como o CCVF, o Espaço Oficina, o Centro de Criação de Candoso, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães, a Casa da Memória de Guimarães e Fábrica ASA.

A Oficina é tudo isto e são também pessoas. António Xavier, António Magalhães e Domingos Bragança. Francisca Abreu, José Bastos e Adelina Pinto. Outra vez José Bastos, Frederico Queiroz e João Pedro Vaz. Dezenas de colaboradores que seria impossível mencionar e tantos outros que, não tendo sido colaboradores da Oficina foram tantas vezes o seu garante, destacando aqui José Nobre que nunca tendo estado na Oficina foi tão importante para aquela cooperativa.

Mais do que qualquer pessoa, espetáculo ou festival, a Oficina vale pelo todo e pelo projeto que, em conjunto com o tecido cultural vimaranense e com a Divisão de Cultura da Câmara de Guimarães, bem como de vários parceiros regionais e nacionais, fazem da marca da Cultura a marca distintiva deste território na sua projeção nacional e internacional.

Um projeto que merece o carinho de todos e um consenso alargado quanto à importância do mesmo. Porque é do património da Oficina e deste projeto que depende muito do sucesso deste território.

Paulo Lopes Silva, 31 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.