Reserva de Valor, por João Pedro Pinto

Resolvido o caos vivido no mês passado em Portugal com a greve dos transportadores de matérias perigosas, parece-me importante refletir sobre o assunto e o que ele pôs a nu, para nos capacitarmos de outro modo para um episódio semelhante no futuro – houve um pré-aviso de greve para o próximo dia 23 de maio, a três dias das Europeias, mas o mesmo já foi suspenso, pelo menos até ao final deste mês.

Infelizmente não é novidade que Portugal é um país altamente dependente de combustíveis fósseis e como tal dependente não apenas na mobilidade dos cidadãos, mas também na atividade de empresas dos mais diversos ramos de atividade.

Também sabemos que a greve é um direito que assiste qualquer trabalhador e quanto a isto nada a dizer.

As questões que sem colocam: como 600 pessoas conseguem parar um país em poucos dias? Como só um dos três relevantes aeroportos nacionais (Porto) é alimentado diretamente por oleodutos? Os principais aeroportos europeus são alimentados diretamente desta forma.

O pré-aviso de greve foi declarado a 1 de abril, o cidadão comum provavelmente não teria noção do impacto que poderia causar, mas o governo e suas instâncias teriam essa obrigação, ainda mais numa semana em que milhares de portugueses se ausentam para umas miniférias ou celebrar a Páscoa com as suas famílias, esta greve tinha tudo para correr bem.

Posto isto e sabendo que o acordo que os transportadores de matérias perigosas assinaram com a ANTRAM, apenas se refere a um compromisso que deve ser alcançado entre ambos até final do ano (ou seja, no imediato a situação dos motoristas manter-se-á a mesma), o verdadeiro vencedor deste conflito foi o Governo que deixou que se instaurasse o caos, para depois se apresentar como o salvador da pátria..

João Pedro Pinto (https://www.linkedin.com/in/joaopinto1/), 32 anos, é licenciado em Ciências Económicas e Empresariais.