Falta pouco!

Depois de percorrido o país de Norte a Sul, incluindo as ilhas, podemos afirmar que em cada freguesia, em cada concelho encontramos força para continuar a defender compromissos na defesa e reforço da soberania portuguesa.

Estamos cada vez mais próximos de umas eleições que dizem respeito a cada mulher, a cada homem, a cada jovem, a cada estudante, a cada reformado, a cada comerciante e pequeno e médio empresário e agricultor.

Na passada semana, dissemos aqui, bem perto da muralha que lembra que “Aqui Nasceu Portugal”, que o que é necessário é defender Portugal na União Europeia! Não temos do que nos envergonhar, somos um país com potencialidades na indústria, na agricultura, nas pescas, no turismo.

Dia 26 de Maio vamos eleger deputados para o Parlamento Europeu. Vamos escolher caminhos para a União Europeia, e nós sabemos bem qual o caminho que queremos. Queremos o contrário daqueles que se furtam ao debate e inventam desculpas para nada dizer sobre o caminho que querem. Existe um outro caminho.

Um caminho em que todos os Estados-membro estejam em pé de igualdade, um caminho que não afaste os cidadãos das tomadas de decisão, um caminho que não destrua a soberania dos Estados.

Um caminho de paz, e não de guerras e miséria que levam milhares a procurar abrigo na UE, e que são recebidos com arame farpado em autênticos campos de concentração. Desde 2014 já morreram cerca de 18000 dessas pessoas. Pessoas iguais a cada um de nós que fogem da guerra, da fome, da miséria e até das consequências das alterações climáticas.

Dia 26 de Maio, vamos também escolher caminhos para o ambiente. A União Europeia levanta a bandeira do ambiente, mas as políticas que pratica e promove em nada o defendem ou contribuem para a mitigação das alterações climáticas.

A luta na defesa do transporte público enquanto uma das soluções para a mitigação das alterações climáticas e para a coesão territorial deu agora o primeiro grande passo. Foi possível em muitas regiões do país avançar com o passe social intermodal a preços módicos e será possível também em Guimarães, onde não desistimos de exigir transportes para todo o município com horários adequados, a preços baixos e confortáveis.

Sem esquecer a necessária ligação a Braga por ferrovia, porque só através do desenvolvimento da ferrovia em Portugal seremos capazes de contribuir verdadeiramente para a diminuição do CO2 lançado para a atmosfera.

Esta União Europeia é aquela que promete a democracia e a igualdade.

Igualdade que se devia manifestar em todas as realidades. Que o digam as operárias dos Vales do Ave e do Cávado. Mulheres que trabalham no têxtil, no calçado, nas indústrias eléctricas, que se vêm a braços com filhos que não sabem onde colocar na creche ou no Jardim de Infância. Que não têm transportes públicos para as fábricas onde ganham magros salários. Que foram empurradas para a reforma antecipada perdendo centenas de euros nas suas reformas e vivendo hoje  míngua, quantas vezes penduradas nos filhos e netos. Que viram fechar os serviços de saúde, os postos de correio, as escolas, as freguesias. Continuamos longe, muito longe das promessas de uma União Europeia da igualdade.

Continuamos longe de uma juventude com perspectiva de futuro de formar família ou de conseguir um tecto. A este propósito, abro apenas um parênteses, para denunciar como é  difícil conseguir uma casa a preços aceitáveis em Guimarães.

O berço da nação, cidade património da humanidade, terra de gentes que sabem e têm gosto em receber quem nos visita, vê hoje, como em tantas outras terras, ser posto em causa o direito à habitação.

Direito que está consagrado na Constituição da República, mas o que assistimos hoje é à expulsão de idosos das suas casas para dar lugar à mais um espaço turístico, comprometendo o futuro da cidade que, por este caminho, não será mais do que um cenário para turista ver. Queremos ver de novo, no Largo da Oliveira, na Praça Santiago, na Rua Santo António, na Rua de Gil Vicente, em Couros, crianças a brincar pelas ruas, comércio tradicional e vimaranenses que aqui escolham viver!

Digamos, pois, o que queremos.

Queremos uma Europa mais verde, mais justa e mais solidária.

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.