Alterações Climáticas

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O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, surge na capa da revista Time com água até aos joelhos. O ar carregado com que se apresenta é o reflexo da questão que esta imagem representa. As Alterações Climáticas tornaram-se, de repente, no principal tema de conversa dos diversos governos pelo Mundo. Esperemos que não seja apenas para esconder outros problemas e objectivos inconfessáveis.

Trata-se, de facto, de uma questão mundial porque irá afectar todos e por isso são necessárias medidas eficazes que tenham um cunho universal e não acções isoladas que pouca influência terão na mitigação das Alterações Climáticas.

O Partido Ecologista Os Verdes conta com 37 anos de lutas ecologistas, a vários níveis. Na defesa da natureza, na protecção da biodiversidade e sobretudo na luta pela conjugação das rotinas dos seres humanos com a convivência e respeito pelo Ambiente.

As lutas ecologistas dos Verdes passaram também pelo alerta para as Alterações Climáticas, desde o tempo em que só se falava no aquecimento global, e nas suas consequências, mas desde o final dos anos 90 iniciámos essa reflexão e várias foram as iniciativas que se fizeram.

O secretário-geral da ONU diz na sua entrevista que é necessário passarmos da burocracia à prática e para que isso aconteça tem reunido com os governantes para os convencer a desenvolver políticas que sejam capazes de se envolverem na mitigação das Alterações Climáticas.

Sabemos que as questões da subida dos níveis dos mares, os residentes em fuga e as cidades a desaparecer são as escolhidas para a selecção desta fotografia que chega a ser perturbadora. No entanto, é mesmo necessário seguirmos os caminhos feitos pelas diversas reflexões, pelas afirmações científicas, olhar para os compromissos assumidos no Acordo de Paris e “arregaçar as mangas” para que se passe definitivamente à prática.

Uma rede de transportes públicos eficientes, com incidência na ferrovia, é um dos caminhos para a descarbonização. A produção e consumo local é uma forma de diminuirmos a pegada ecológica do “nosso prato” e de contribuirmos para o crescimento da economia local, sem esquecermos que com a produção local o uso de herbicidas diminui ou torna-se mesmo desnecessário. O fim da energia nuclear e a evolução para energias limpas e mais amigas do ambiente é outro dos caminhos a trilhar. Ou seja, uma mudança radical no abusivo uso dos recursos naturais pelo capitalismo.

Temos assistido à evolução da preocupação com o ambiente, embora essa preocupação nunca tenha tido correspondência nos orçamentos dos diferentes órgãos de decisão. Todos os atentados ambientais se justificaram e justificam com a criação e manutenção de empregos, com a necessidade de incrementar a economia nacional e local, com a pressão de políticas externas.

Hoje em dia, a protecção do ambiente está em cima da mesa, podemos finalmente deixar de culpar as pessoas pelos seus comportamentos individuais e afirmar que o “Capitalismo não é Verde” como gritaram jovens portugueses pelas ruas de todos o país.

É urgente que as opções políticas sejam sérias e que a mitigação das Alterações Climáticas passe das capas de revistas para a prática e se inicie hoje. Não podemos mais ficar sensibilizados com discursos recheados de preocupação ambiental mas ter acções muito discretas ou quase inexistentes.

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.