O título de polo aquático decide-se hoje. Pode ser o primeiro do Vitória

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As Piscinas Municipais de Guimarães recebem, porventura, o jogo mais importante da história da modalidade, neste sábado, às 19:30. A equipa treinada por João Pedro Santos disputa a “negra” frente ao Povoense, precisamente a equipa contra a qual iniciou esta temporada.

O Vitória salta para a piscina por uma última vez nesta época, para disputar a partida mais importante em 16 anos de história. Criada em 2003, a secção de polo aquático disputa pela primeira vez a final da Primeira Divisão e vai ter do seu lado o fator casa no jogo decisivo com o Povoense.

A equipa de João Pedro Santos esteve muito perto de conseguir o título no fim de semana anterior, nas piscinas da Senhora da Hora. Depois do triunfo por 13-10 no jogo inaugural do ‘play-off’, em Guimarães, com uma ponta final muito forte, a inverter uma desvantagem de 9-6, os vitorianos perderam o segundo jogo por 14-12, no desempate por grandes penalidades. Os homens da cidade berço evitaram a derrota no tempo regulamentar com um golo a 30 segundos do fim, mas falharam no desempate.

O Vitória, aliás, nunca perdeu um duelo com a formação da Póvoa de Varzim, nesta época: empatou o primeiro jogo da época, na Senhora da Hora (16-16) e, na abertura da segunda volta, triunfou por 14-13. Esta supremacia estendeu-se à tabela classificativa, concluída a fase regular; os vimaranenses foram primeiros, com 50 pontos, e os poveiros terceiros, com 41.

Contratado nesta época, o guarda-redes Marcelo Chagas realçou, em declarações ao site do Vitória, que a equipa está somente focada em “conseguir o título para o Vitória e para Guimarães”. Membro da seleção brasileira que disputou o mundial de polo em 2011, na China, o guardião reconheceu a valia do Povoense, uma equipa com “jogadores inteligentes e rápidos”, quatro deles internacionais pela seleção portuguesa, mas prometeu um Vitória preparado para se apresentar mais forte do que na partida anterior, sobretudo no ataque.

“Programámos muito bem a parte defensiva do jogo, mas o nosso ataque não funcionou muito”, admitiu. “Houve mérito do nosso adversário, que soube neutralizar o nosso jogo. Estivemos a ver vídeos e a conversar para melhorarmos o nosso jogo”.

A antecâmara do jogo que decide o campeonato envolve ainda muita pressão, disse Marcelo Chagas. Ela manifesta-se nos jogadores mais experientes, mas sobretudo nos mais jovens. “Conversámos muito com os jogadores mais jovens”, disse. “O importante é que eles saiam de consciência limpa, por se terem esforçado ao máximo, e não tenham medo da responsabilidade”.

Kincses Attila: “Época brilhante se ganharmos o campeonato”

Uma das figuras do Vitória nesta temporada é o húngaro Kincses Attila. Oriundo de um país com tradição no polo aquático, o atleta de 31 anos marcou 134 golos na fase regular do campeonato e ainda 20 na Taça de Portugal – a equipa chegou à final, mas perdeu diante do Fluvial (14-11), na Guarda, em abril.

Em declarações ao Duas Caras, o jogador mostrou-se satisfeito pela época que está a fazer, embora a conquista do campeonato seja vital para se tornar memorável. “Estou contente com a minha performance. Se pudermos vencer o campeonato, teremos uma época brilhante”, observou.

Após passagens por equipas como o Vasas, o FTC, o Kaposvar e o Debrecen, Kincses Attila conta com dois campeonatos húngaros, uma Taça da Hungria, uma Supertaça e ainda um título mundial de sub-20 e um campeonato da Europa pela sua seleção.

As realidades do polo aquático na sua terra natal e em Portugal não poderiam ser mais díspares, aliás. “Aqui o nível é amador. Treinamos 10 horas por semana, enquanto na Hungria treinamos 18, com ginásio. Além disso, as piscinas aqui só têm 25 metros de cumprimento. O cumprimento nas provas internacionais é de 30 metros”, frisou o jogador oriundo de Budapeste.