Tempos de mudança!

Nos meses de Verão assistimos e participamos nas mais variadas festas e romarias que têm lugar nas ruas para celebrar os santos populares, para celebrar os feriados concelhios, para aproveitar os dias grandes, o calor e a alegria de se conviver com amigos e familiares.

Num tempo de mudança, as pessoas andam mais atentas e são várias as questões que se colocam no que diz respeito ao ambiente. As associações e colectividades que têm nestes momentos festivos a sua forma de se financiarem ao longo do ano pedem às grandes empresas de distribuição copos recicláveis, mas, infelizmente, já se conhecem aproveitamentos das preocupações ambientais dos seus clientes para aumentar o seu lucro.

Andamos todos mais atentos quando nos preocupamos em publicar nas redes sociais o lixo que fica depois do “Sunset na Praça”, por exemplo, que teve lugar a meio do mês de Junho. O uso do plástico mantém-se e a falta de recipientes para se colocarem estas embalagens fazem com que se acumulem no chão. Não sei onde param os copos recicláveis lançados pela Vitrus, se tiveram ou não sucesso e aceitação por parte dos clientes, mas o que não podemos continuar a permitir é que se atribuam as culpas aos indivíduos e se esqueça a responsabilidade daqueles que obtém os grandes lucros.

Andamos todos mais atentos, inclusive o secretário-geral das Nações Unidas que, na Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude 2019, desenvolveu a teoria de que a sua geração falhou numa resposta apropriada ao desafio da emergência climática.

No entanto, o que sentimos todos é que, por muito atentos que andemos, continuam sem se fazerem as urgentes mudanças de políticas para que a mudança do clima não prossiga desta forma tão acelerada.

A luta ecologista, por um ambiente sadio e pela vivência em harmonia com a natureza, é uma luta de todos, que tem de ser assumida desde as mais tenras idades, contando com os adolescentes e jovens, como felizmente assistimos nos últimos meses, mas têm também que contar com os adultos e com os mais idosos, porque o compromisso da mitigação das Alterações Climáticas deve ser de todas as gerações.

Por isso, recusamos a luta em defesa do ambiente como parte integrante, como peça da divisão entre gerações, entre novos e velhos. Não podemos atribuir hoje as culpas da degradação do ambiente aos que, há 40, 50, 60 anos iam descalços para a escola, escreviam em ardósias e não sabiam o que era o desperdício alimentar.

A luta em defesa do Planeta ao qual chamamos “casa”, é a luta entre os que defendem modos de produção sustentáveis e os que exploram os recursos até à sua finitude para assegurar a apropriação da riqueza, sem se importarem com as consequências, para o ambiente, para os animais, para a vida dos homens e mulheres.

Recusamos, igualmente, a luta em defesa do ambiente como parte da contraposição entre os povos da Europa – que ao contrário do que nos querem vender, é um dos principais causadores da sua degradação – e os povos do Sul ou da Ásia ou de qualquer parte do Mundo. A questão é que, sem se responder às necessidades básicas das populações, estejam elas onde estiverem, teremos sempre a aceitação de acções que para nós são inaceitáveis.

Os Verdes acompanham, valorizam, saúdam, e estão presentes nas acções dos jovens na defesa do Ambiente. Contudo, não chegámos hoje à luta contra as Alterações Climáticas e pela mitigação dos seus efeitos, agora que alguns interesses decidiram dar-lhe visibilidade. Já cá estávamos quando se falava do aquecimento global, estamos cá há décadas a falar e alertar para as alterações climáticas, nos órgãos de poder nacional e local.

Saudamos todos os que se juntam hoje à luta d’Os Verdes na acção em defesa do ambiente por uma vida sadia e em harmonia com a natureza sendo a alternativa que temos, a única, para que seja possível atingirmos as grandes transformações sociais para avançarmos num futuro justo, livre e ambientalmente equilibrado..

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.