Identidade de género

Um assunto que tem preenchido os nossos dias, dividindo opiniões e gerando inúmeras discussões é a questão da identidade de género.

Antes de mais convém conhecer este conceito, identidade de género é como a pessoa se reconhece: homem, mulher ou nenhum deles. Para algumas pessoas, essa identidade corresponde ao sexo biológico: são os cisgéneros. Para outras, não: são as pessoas transsexuais. Sendo que, a orientação sexual refere-se à sexualidade da pessoa e a quem ela sente atração afetivo-sexual. A orientação sexual não é necessariamente relacionada com o género. Uma pessoa trans pode ser heterossexual, homossexual ou bissexual.

Desde o nascimento que as crianças ficam sujeitas a determinadas características que as diferenciam. A título de exemplo, os nomes das crianças marcam logo à partida a diferença entre géneros; os objetos escolhidos, a cor e o tipo de roupas identificam a “olho nu”, muito facilmente, o sexo da criança. As famílias podem, assim, ser promotoras da desigualdade entre géneros.

Algumas investigações no domínio da psicologia têm mostrado que as crianças iniciam o processo de desenvolvimento respeitante ao género (e a categorização de si e dos outros) muito antes de tomarem consciência do seu sexo, ou seja, dos seus órgãos genitais. Defende-se mesmo, que, o núcleo central da identidade de género começa a consolidar-se, em crianças de ambos os sexos, ainda numa fase pré-verbal do desenvolvimento.

Esta questão da identidade de género, que tanta tinta tem feito correr nomeadamente em relação à Educação e ao Ensino. Sou defensora dos direitos humanos na sua amplitude. A escola tem um papel fundamental e fulcral na promoção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Deve educar contra a discriminação em função da orientação sexual e da identidade de género, numa perspetiva de respeito pelos direitos humanos.

Segundo o estudo nacional sobre o ambiente escolar, realizado pela ILGA-Portugal em parceria com instituições do ensino superior, revelou, que muitos jovens LGBTI são alvo de insultos na escola, estes, são proferidos por diferentes pessoas, funcionários, colegas e até professores. O insulto, aquela palavra que tem um peso negativo enorme na vida destes jovens. Estas palavras tão HORRÍVEIS que faz com que todos os dias, muitos jovens tenham medo de enfrentar o mundo e de mostrarem quem realmente são. O preconceito que sentem nos olhares da sociedade que os rodeia, e que faz com que muitas vezes, queiram ser invisíveis, para assim terem um pouco de paz.

Vários estudos demonstram que os efeitos destes fenómenos são devastadores para quem os vive. Para além de excluírem e maltratarem estes jovens, causam também, problemas de saúde mental como, perturbações de ansiedade, depressão, rejeição da própria identidade e ideação suicida.

Estamos no século XXI, não deverá a nossa escola fazer uma remodelação? Mostrar que não é apenas a história da Cinderela e do Príncipe encantado que está correta? Mostrar que existem outras realidades, e que também elas estão corretas? Abordar que existem vários tipos de Famílias, sem ser a família tradicional? Sou da opinião que sim.

Com isto não estamos a “doutrinar” as nossas crianças e jovens, mas sim, a fazê-los ver a realidade que os rodeia, e que todas as vertentes desta realidade estão corretas. Promovendo assim, o respeito e uma sociedade mais equitativa.

Tânia Salgado da ADDHG – Associação de Defesa dos Direitos Humanos de Guimarães.