Escrevia na última crónica sobre a temática da vivência da cultura na rua e no seu contacto direto com quem passa, e aos elementos diferenciadores que essa oferta tem que permanentemente buscar. “Mais rua, mais cultura, mais cidade”, dizia.
A este mesmo propósito, seguiram-se este fim-de-semana as Festas da Cidade e Gualterianas. Um evento que tem, naturalmente, aspetos mais de animação, mais dirigidos para massas e menos diferenciador em parte do seu programa. Mas pela sua antiguidade, tradição e importância para o concelho de Guimarães, tem que ser tratado com o carinho que o lado da preservação do património imaterial de uma política cultural, merece.
As reações que pude ir percecionando, mais na rua (onde estão aqueles a quem a festa mais interessa), são amplamente positivos no que à edição deste ano diz respeito.
Os argumentos e os raciocínios que a estas perceções levam, fazem-me chegar a duas conclusões essenciais: a centralidade das festas e o acessório das mesmas.
A presença da Feira do Artesanato em pleno Jardim da Alameda trouxe recordações felizes a muitos vimaranenses e, mais que isso, garantiu a ligação entre Toural (onde decorrem muitas das atividades, e onde está um belíssima exposição de fotografia este ano) e o Largo República do Brasil que se ia sentindo como urgente.
A esta decisão, acresce a colocação dos divertimentos e alguma restauração na Alameda Alfredo Pimenta, estendendo o eixo central das festas para lá da Plataforma das Artes, onde já aconteciam os concertos.
Nos dias mais próximos do fim-de-semana, aqueles que são verdadeiramente das Festas, contaram ainda com vendedores ambulantes a norte e a sul da Alameda de S. Dâmaso, completando, assim, o eixo das festas.
Ainda na dimensão da centralidade, de que falava nas conclusões a tirar, as múltiplas atividades, concertos e animações de rua: na Alameda, Centro Histórico, Plataforma das Artes e Toural. Com um pequeno “detalhe”: esta prática vem de vários anos, na configuração modernas das Festas.
Pegando em todos estes aspetos, parece haver a noção de que estas festas foram um sucesso, e estou de acordo. Com uma pequena última nota que me remete para o acessório, de que falava. Estou de todo convencido que, grande parte da perceção criada se prende com a alteração da localização dos divertimentos e dos vendedores ambulantes para ruas e alamedas da cidade. Acessório, parece-me, naquilo que é a essência das Gualterianas.
Fica uma nota, contudo, de esclarecimento necessário e memória futura. Ao chamar-lhe acessório, porque o é na essência das Festas, não é de desvalorizar o seu peso, quer na dinâmica das festas, quer na perceção popular. E é, por isso, às vezes, no acessório e nos detalhes que está o ajuste necessário ao melhor acolhimento do que de fundamental se vai fazendo.
