Alimentação também é um direito

As opções alimentares de cada um de nós estão cada vez mais na ordem do dia. Por vezes até de forma muito sectária e até um pouco discriminatória, muitos de nós tendemos a olhar de lado para aqueles que assumem que optam pelo vegetarianismo ou pelos que assumem o veganismo.

No entanto, tendemos a esquecer que as opções alimentares têm impactos directos na nossa saúde e no ambiente. Assim sendo, torna-se cada vez mais urgente que a dieta alimentar seja repensada, que se diminuam os gastos com a nossa saúde ao colocarmos nas nossas refeições os produtos que são mais saudáveis.

Sabemos que o consumo exagerado de carne está associado a doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes entre outras. Por isso, devemos reduzir o seu consumo se quisermos permanecer longe do médico e da farmácia.

Por outro lado, as ofertas de menus vegetarianos são ainda muito reduzidas. De cada vez que vamos jantar fora com um amigo que opta por uma alimentação vegetariana lá o vemos desconsolado a comer a omelete ou a salada de tomate com alface.

É necessário promover menus vegetarianos com uma composição equilibrada que não gere um défice de nutrientes importantes no consumidor. E se este esforço se vai encontrando nos privados, muito mais poderíamos e deveríamos encontrar nas cantinas públicas.

Não foi por falta de sugestão que as cantinas públicas em Guimarães ainda não têm menu vegetariano. Como sabemos é sempre necessária uma lei que obrigue, uma lei que nos obrigue a alterar comportamentos, mesmo quando esses comportamentos são para o nosso bem. Finalmente, a lei vai chegar e as cantinas públicas vão deixar de discriminar os que optam por uma alimentação vegetariana ou que simplesmente não gostam de carne.

Só com a obrigatoriedade é que alguns municípios evoluem, mas como diz o povo “mais vale tarde do que nunca”. Esperemos que pelo menos, sendo obrigados a colocar menus vegetarianos nas cantinas públicas, não esperem que a Assembleia da República os obrigue a comprar os produtos frescos nos produtores locais, incentivando a produção local e contribuindo para a diminuição da pegada ecológica.

É só mais uma proposta que ainda não foi ouvida, mas não custa repetir!!!

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009 e eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.