Cancro da próstata: A cura está no diagnóstico precoce

O cancro da próstata tem uma taxa de cura elevada, desde que seja diagnosticado precocemente. Ter um estilo de vida saudável e um acompanhamento junto da medicina familiar a partir dos 45 anos bastam para prevenir, diz ao Duas Caras Ricardo Ramires, diretor do Serviço de Urologia do Hospital Senhora da Oliveira (HSO).  

O toque rectal já não é um tabu, garante o especialista. “O toque rectal é importantíssimo para percebermos a morfologia e o aspecto desta próstata”, sublinha o médico, reforçando que “os médicos de família têm capacidade, perfil e estão perfeitamente preparados para fazer esta primeira avaliação do doente e, se houver necessidade, encaminhar para a especialidade”.

Questionado se os pacientes ainda apresentam resistência à realização do exame de toque, Ricardo Ramires atira: “De modo algum”.

“Na clínica privada, aparecem imensos doentes preocupados e que querem fazer uma avaliação inicial, para saberem como é que está a saúde da próstata. É um lugar-comum que nos entra todos os dias pela porta do consultório”, pontua, vincando que “ os pacientes estão cada vez mais assertivos”.

Também a “renitência relativamente grande por parte dos colegas da clínica geral e familiar, nomeadamente das colegas, das médicas de família em abordar o doente” tem desaparecido. Para o especialista, esta normalização do toque rectal deve-se aos cursos de metodologia urológica que o Hospital Senhora da Oliveira promove há três anos junto dos clínicos de medicina familiar. “Mesmo a ideia de que é uma senhora e vai-me fazer o toque ou de que eu sou uma senhora e vou fazer um toque a um homem, desde que as colegas o façam e digam ‘eu tenho que o fazer’, os doentes recebem isso como uma necessidade de fazer um exame e não são minimamente renitentes”, reforça.

Estilo de vida saudável é fundamental

A prevenção do cancro da próstata está em manter uma vida saudável: “As atitudes são perfeitamente banais, que passam por fazer exercício, ter cuidado da alimentação e não fumar”. “Não há nenhuma atitude específica para melhorar a saúde do homem”, “embora haja estudos que definam determinados tipos de atuação a nível de alimentação, de cuidados de saúde e higieno-sanitários de prevenção do cancro da próstata, não há nenhum perfeitamente definido para esse fim”, esclarece.

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Ricardo Ramires, diretor do Serviço de Urologia, garante que os homens estão cada vez mais sensibilizados para cuidarem da sua sáude.

Atualmente, o Sistema Nacional de Saúde propõe que todos os homens com idades superiores aos 45 anos ou com idades superiores aos 40 anos, que tenham algum caso na família direta de neoplasia prostática, devem ser observados no âmbito da medicina familiar com o toque rectal e com a realização de análises aos níveis do antigénio específico da próstata (PSA). Depois o homem será sujeito a uma vigilância que poderá ser anual, bianual ou de cinco em cinco anos. Ricardo Ramires ressalva que “não se pode esquecer estas pessoas que têm uma probabilidade menor de vir a ter neoplasia da próstata”.

No caso de ser detetada uma neoplasia, os pacientes devem ser orientados para a especialidade, no sentido de fazer o disgnóstico de avaliação complementar primária. “A neoplasia prostática tem uma taxa de cura elevada, desde que seja diagnosticada precocemente”, avalia o médico, para quem ainda é discutível “a necessidade de fazer um rastreio mais alargado ao nível da próstata”. “Trata-se de uma neoplasia com uma prevalência muito elevada [aparece logo a seguir à mais frequente, a neoplasia da bexiga], tem uma carga hereditária que não é desprezável e que aparece numa adultícia mais tardia. Mas já aparecem neoplasias em idades muito mais jovens, que são muito mais agressivas do que as neoplasias que aparecem em idades mais avançadas”, termina.

Segundo a informação disponível no site do HSO, o Serviço de Urologia serve atualmente uma população que ronda os 350.000 habitantes, sendo um serviço de primeira linha para os concelhos de Guimarães, Fafe, Cabeiras de Basto, Celorico de Basto e Vizela. No ano passado, registou cerca de 100 casos para tratamento com carcinoma da próstata (hormonoterapia ou quimioterapia). Foram feitas cerca de 20 prostatectomias radicais (remoção cirúrgica da próstata).

Texto: Catarina Castro Abreu
Fotos: Direitos Reservados