Conselho de Disciplina da FPF: Dois pesos, duas medidas?

José Manuel Meirim foi eleito presidente do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol em 04 de Junho de 2016. Formado em Direito Desportivo, antes de tomar o cargo, estava sempre a dar a sua opinião nas televisões diversas, nos jornais, a troco de um cachet, pois ninguém trabalha de borla. Gostava de o ouvir e fiquei com a ideia de que a partir do momento que tomou posse, iríamos ter uma justiça desportiva mais clara e mais justa.

Enganei-me. No dia 28 de janeiro de 2017, realizou-se o jogo Estoril-Porto, para a 19ª. jornada da Liga NOS. A segunda parte demora a arrancar por força dos petardos que os adeptos do Porto atiraram para o guarda-redes Moreira, do Estoril e que teve de ser assistido pelos médicos. Toda a gente viu. Elabora-se um processo disciplinar que não se sabe quando terá fim.

No dia 29 de janeiro de 2017, na final da Taça CTT (Liga) e após a marcação do golo do Moreirense, foram rebentados dois petardos no recinto do jogo, que interrompeu o mesmo, pois houve jogadores do Moreirense feridos. Os petardos vieram da bancada dos adeptos do Braga, toda a gente viu. Elabora-se um processo disciplinar que não se sabe quando terá fim.

No dia 04 de março de 2017, realizou-se o jogo entre o Feirense e o Benfica, para 24ª. jornada da Liga NOS. O jogo começou depois da hora prevista, por causa de rebentamento de petardos e tochas. Quando o Benfica marcou o golo, voltaram a cair tochas, petardos e cadeiras, estando o jogo interrompido. Toda a gente viu. Elabora-se um processo disciplinar que não se sabe quando terá fim.

No dia 17 de março de 2013, realizou-se o jogo entre o Vitória e o Benfica, da Liga NOS. Houve arremesso de tochas e petardos e o jogo esteve interrompido. Na terça-feira seguinte o Conselho de Disciplina (não chefiado pelo Dr. Meirim) puniu o Vitória com o jogo à porta fechada.

Senhor Doutor José Manuel Meirim, onde está a coerência da Disciplina Desportiva? O senhor mudou a forma de analisar “as coisas”, depois de ter tomado o cargo. Começou a ter medo dos clubes ditos “grandes”? É que quando comentava e não estava no lugar falava de direito desportivo, agora mudou?

Haja coragem.

Secundino Rodrigues, 63 anos, é reformado da profissão de empregado administrativo. Sócio do Vitória com o número 1.104, gosta de verter a sua paixão pelos números na análise dos resultados do seu clube. Escreve à quarta-feira.