Moradores queixam-se de ruído e odores na ETAR de Serzedo

Flora Silva, 44 anos, e Camila Leite, 77 anos, vivem na casa mais próxima da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Serzedo e queixam-se de ruídos e maus odores ocasionais. A reclamação chegou ao deputado bloquista Pedro Soares, que visitou esta tarde, 27, aquela infraestrutura, na companhia do presidente do Conselho de Administração da Águas do Norte, que tutela a ETAR, Eduardo Gomes. Este responsável garante que a ETAR funciona bem e que cumpre todos os parâmetros de ruído e ambientais.

Nabainhos, Torre, Arcozelo, Bouças do Arco e a rua 24 de julho são as localidades mais próximas da ETAR afetadas pelos maus odores e ruído ocasionais produzidos pela infraestrutura. As duas moradoras presentes na visita de Pedro Soares deram conta que os cheiros acontecem quase sempre à mesma hora e que o ruído é particularmente incómodo à noite. O coordenador de exploração, responsável pela ETAR de Serzedo, Rui Vila Verde, reconheceu a situação dizendo que os maus odores ocorrem sobretudo no momento da chegada dos efluentes à zona de pré-tratamento e numa outra altura, aquando da passagem das lamas (os excedentes do tratamento das águas) para os camiões que levam os detritos para aterro.

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Moradoras que vivem junto à ETAR reclamam do barulho à noite e dos maus odores “que entram em casa e não saem”

Quanto ao barulho, este responsável vincou que a ETAR cumpre todos “os critérios de incomodidade ambiental do ruído”. Mas a realidade é que o ruído provocado pelos compressores e pelos parafusos de Arquimedes, na zona de pré-tratamento, é elevado apesar de, no caso dos compressores, estarem num local fechado e insonorizado. “Durante o dia este barulho até passa despercebido mas à noite é muito incómodo”, testemunha Camila Leite.

“A ETAR de Serzedo é uma infraestrutura muito importante na proteção do ambiente e no tratamento dos efluentes. O que exigimos é que a ETAR funcione o melhor possível e que tenha menor impacto na população que vive nas proximidades”, sublinhou Pedro Soares ao Duas Caras. O deputado eleito pelo círculo de Braga avançou ainda que vai “tentar junto da Águas do Norte e do Ministério de Ambiente procurar uma solução”, solicitando “um estudo técnico para que a questão do ruído e dos maus odores seja resolvida”.

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Uma das propostas passa por cobrir a zona de pré-tratamento da ETAR, causadora dos ruídos ocasionais mas intensos e dos maus odores

O presidente do Conselho de Administração da Águas do Norte, que tutela a ETAR, Eduardo Gomes, reforçou que “esta ETAR funciona cumprindo toda a legislação, seja a legislação do ruído, seja a dos parâmetros ambientais dos efluentes e do que produz”. “Quanto às reclamações em particular, que são concretas e muito limitadas à zona geográfica, teremos que fazer uma reflexão”, disse.

Confrontado com a hipótese de cobrir a zona de pré-tratamento, que provoca os maus odores, Eduardo Gomes explicou que “a solução foi pensada mas constatou-se que não era fisicamente fácil resolver”. Quanto ao ruído, apontou que “há soluções em cima da mesa para serem estudadas”.

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Deputado bloquista ouviu as explicações dos responsáveis da ETAR

Corantes utilizados na indústria preocupam

Durante a visita à ETAR, Pedro Soares foi confrontado com a utilização de corantes inorgânicos por parte da industria têxtil e que a ETAR, tal como está concebida, não é capaz de tratar. “É um problema que teremos que abordar com atenção. Esta ETAR procura resolver um desequilíbrio com determinadas tecnologias e quando a indústria altera as suas características utilizando corantes que não são tratáveis neste tipo de instalações, o problema complica-se porque a ETAR não está preparada para eles”, pontuou o deputado.

Realçando que vai levar o problema ao Ministério do Ambiente, Pedro Soares sublinhou que a utilização destes corantes ocorre porque são mais baratos. “Portanto, aqui, se não há tecnologia ainda para fazer a degradação destes corantes teremos que intervir junto da indústria de modo a não permitir que use esses corantes até que se encontrar uma solução”, resumiu.

Texto e Fotos: Catarina Castro Abreu