Guimarães e a Cultura: de consumidor a produtor

O panorama cultural em Guimarães mudou e está mais vibrante do que nunca. A Cidade, que consumiu cultural e cultivou públicos ao longo das últimas décadas, aproveitou o paradigma trazido por 2012 para a criação de condições de transformação de cidade consumidora a cidade produtora de cultura.

As condições de criação e apresentação das mais diversas formas de arte no concelho de Guimarães trouxeram uma nova geração de vimaranenses a dedicarem-se à cultura como vida profissional. Hoje há um ambiente de criação em Guimarães nunca antes vivido, resultante, em grande parte desta alteração natural de rumo da cultura da Cidade.

Exemplo maior desta mudança de paradigma é o “Westway Lab”, que decorreu no último fim-de-semana.

Esta plataforma colaborativa começa a projetar Guimarães para patamares internacionais de referência, despertando o interesse de artistas e criadores. Quatro dias preenchidos e intensos onde se cruzam experiências: entre artistas consagrados e emergentes, nacionais e internacionais, nas áreas da música, criação, vídeo, arquitetura e intervenção urbana.

Por um lado, o festival potencia a partilha e aquisição de conhecimento, para potenciar os artistas locais a inovarem e crescerem, principalmente com os momentos das Residências Artísticas, Conferências PRO e Talks.

Por outro, permite ainda a mostra da produção feita dentro e fora do festival, de forma comunicante com a cidade e diferentes públicos. Os concertos na sua forma mais clássica, os showcases no Café Concerto e os showcases pela cidade.

A juntar ao “Westway Lab”, conhecemos também nos últimos dias a iniciativa “Oficina Excêntrica” que promete levar a formação de plástica dos materiais e plasticidade do corpo a cinco freguesias do concelho.

Mais uma aposta, coerente com o caminho traçado nos últimos anos, que pretende potenciar e valorizar os criadores vimaranenses, dando-lhe experiências e conhecimentos que os catapultem para patamares de qualidade de dimensão nacional e internacional.

Tudo isto interligado a uma visão de Cidade, como corpo total do concelho e das suas gentes, agregadora e coesa no seu território. As condições de contacto com estas experiências não se limitam ao espaço intramuros, como se estende a todo o concelho. Visão que, aliás, não é nova, como é exemplo disso o Centro de Criação de Candoso.

Num tempo em que a discussão acaba sempre na criação de emprego, na captação de investimento e na economia, é tempo de todos olharmos para a cultura também como setor de criação de valor e criadora de postos de trabalho. E este caminho só se consegue, se além de consumidores, formos capazes de produzir, algo que Guimarães tem percorrido com grande qualidade.

Este, mais do que um caminho, é uma ideia de cidade. Porque é transversal à cultura, à educação, à economia, à visão de cidade que pretendemos ter para cativar estes criadores a residirem em Guimarães de forma permanente ou temporária, e a valorizarmos os artistas vimaranenses, dando-lhes condições para voltar sempre a casa.

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projeto numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.