Guimarães 2030: o futuro já ali

Hoje faço um exercício. A passada sexta-feira foi dia para passear no Centro Histórico de Guimarães. Foram várias horas entre as ruas e a história da cidade, sempre pelo meio de uma multidão de turistas e vimaranenses.

Entre o português com o nosso sotaque, o castelhano e o inglês, soube bem ouvir a cidade debaixo de um sol que só nós temos, e de uma organização e limpeza que valorizam o nosso centro histórico requalificado e recuperado.

O exercício é simples. Transportar aquele passeio para 2030. Baseado no passado, presente e futuro de Guimarães. No caminho prosseguido até hoje, nas apostas que hoje conhecemos e na visão de cidade em que assenta o caminho traçado.

Vivo no centro. De onde não quero sair, pela dinâmica cultural da cidade. Pela atividade do centro, que se multiplica por todo o concelho.

Saio de bicicleta, pelas ruas da cidade onde maioritariamente divido o percurso com autocarros elétricos, para o pequeno-almoço. Vou provar uma pastelaria que está no top nacional de uma app de destinos de viagem. Visito um amigo de longa data. Baterista e produtor musical. Convidou-me para a casa dele para conhecer um artista internacional que está por uma temporada em Guimarães.

Está a fazer uma residência artística na minha cidade, onde partilha a sua experiência com os músicos locais que conheceu no festival de Reading. Escolheu Guimarães porque está a preparar o seu novo álbum, e conhece a dinâmica de criação da cidade como marca distintiva.

Viverá durante os próximos três meses numa casa de construção a preços controlados, num edifício carbono zero, construído por iniciativa do município no centro histórico.

Qualquer vimaranense lá pode morar. Basta para isso uma candidatura na app da autarquia. O mesmo que usa para qualquer assunto que tenha que tratar com a Câmara, seja ele de que índole for.

Depois de nos conhecermos, vamos às salas de ensaio do Jordão. Lá estão mais 4 músicos com quem está a gravar participações especiais no seu próximo Longa Duração.

No fim do ensaio, levo a bicicleta no tramway para as imediações do Avepark. Vou jantar com alguns ex-colegas de curso, a quem levo tortas de Guimarães. Ainda feitas segundo a tradição numa casa com muitos anos de história.

São responsáveis por aquilo que começou por ser uma start-up de novas tecnologias, aberta conjuntamente com parceiros holandeses e suecos. Hoje dão cartas a nível internacional, como resultado do projeto de implementação do Centro Operacional de Guimarães. Um projeto de Smart Cities que tem sido fundamental na gestão do concelho, na prevenção de incêndios, na definição de percursos de transportes ou na escolha de localizações para construção.

Guimarães é hoje mais verde. Mais consciente. Cosmopolita e reconhecida internacionalmente por ser um local de criação e de sinergias na área da cultura. Cá moram muitos investigadores das áreas das novas tecnologias e da medicina regenerativa.

A dinâmica gerada permitiu o aparecimento de mais e melhor restauração, hotelaria e serviços. Guimarães é um destino turístico cultural e cuida do seu património. Os vimaranenses estão à distância de um smartphone de qualquer serviço da sua autarquia.

Guimarães 2030 é já ali. As decisões do presente permitem-nos sonhar com este futuro.

Paulo Lopes Silva, 29 anos, é membro da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Foi membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura na Assembleia Municipal. Gestor de Projeto numa consultora de Software do PSI 20, é licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.