25 de Abril

Os cravos vermelhos começam a circular nas ruas, de mão em mão vão levando a mensagem. Sim, a mensagem que já conta 43 anos, mas que se mantém mais viva do que nunca.

Enquanto isso, somos confrontados com as afirmações de certos vampiros que regressam a cada comemoração: Já vivemos em liberdade, deixem o passado em paz! Os direitos estão todos conquistados não faz sentido continuarem a cantar as canções da revolução! O que querem? Não vos chega a liberdade que têm? Há é liberdade a mais…

Depois de ouvir estas atoardas, olhamos à nossa volta e o que esperamos é que os jovens (sobretudo eles) relembrem a Revolução de Abril e se encontrem nos seus valores.

Os jovens de hoje são aqueles a quem não lhes é ensinado o direito à participação popular, a quem não lhes foi ensinado a dar opinião, a quem garantiram que as anteriores gerações andaram a gastar demais e, por isso, restam eles para se sujeitarem a trabalhos precários, mal pagos e a quem é, constantemente, dito: “não se esqueçam que não se pode reclamar.”

Será que são estes jovens de hoje?

Os jovens de hoje são os que respeitam a liberdade, são os que lutam por uma educação pública de qualidade, por um serviço de saúde com médico de família para todos, com direito ao planeamento familiar e sem listas de espera. São os que procuram a diversidade cultural nas suas cidades, freguesias e aldeias.

Os jovens de hoje são os que, rapidamente, se cansam do marasmo, da falta de oportunidades. Os que exigem o direito a uma alimentação saudável nas cantinas, que optam pelos transportes públicos eficientes. Os que lutam nas empresas, todos os dias, por mais direitos, mais consideração pelas suas capacidades e pelo fim da exploração laboral.

Os jovens de hoje envolvem-se nos movimentos associativos com as mais variadas preocupações, desde as sociais, às culturais, às desportivas. Que praticam desporto e o conciliam com o percurso escolar, que procuram a competição saudável.

São os jovens que apesar de ouvirem os seus professores dizerem-lhes: “desiste das juventudes partidárias, olha os estudos, não te metas na política!!!”, insistem em fazer o caminho que livremente escolheram. São os que partilham com um click nas redes sociais, na internet, a denúncia das injustiças e a mobilização para a acção.

Alguns dirão que não passa de um sonho. No entanto, garanto-vos que estes jovens existem e que estarão nas muitas manifestações que terão lugar no próximo dia 25 de Abril, em todo o país, gritando com a convicção de quem sabe que as lutas são ainda muitas: “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!”

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.