Nós e os outros

O Vitória SC esteve “empatado” em quarto lugar com os mesmos pontos do SC Braga desde a 27.ª jornada da Liga Portuguesa de Futebol. Apesar de o regulamento da Liga indicar claramente que nesta situação o quarto lugar pertenceria ao Vitória, a maioria dos media (e a própria LPFP no seu website) escolheram manter o SC Braga no quarto lugar em detrimento do Vitória SC. E o quê que aconteceu quando o Vitória acaba a jornada com mais pontos do que o SC Braga? O Vitória desapareceu da tabela (A sério? Estão a brincar connosco?)…

Lembre-se que o terceiro critério de desempate em caso de igualdade de número de pontos é (de acordo com o artigo 17º do Capítulo II do Regulamento das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional):

  1. c) maior número de golos marcados no estádio do adversário, nos jogos que realizaram entre si (uma vez que o SC Braga marcou um golo em Guimarães e o Vitória SC marcou dois golos em Braga o Vitória fica efetivamente em quarto lugar).

A diferença de golos marcados e sofridos (o critério pelo qual os meios de comunicação se estavam a basear) aparece apenas em quarto lugar:

  1. d) maior diferença entre o número dos golos marcados e o número de golos sofridos pelos clubes nos jogos realizados em toda a competição

Os primeiros dois critérios

  1. a) número de pontos alcançados pelos clubes empatados, no jogo ou jogos que entre si realizaram
  2. b) maior diferença entre o número de golos marcados e o número de golos sofridos pelos clubes empatados, nos jogos que realizaram entre si

não têm, neste caso, qualquer influência na classificação porque ambas as equipas conquistaram três pontos na casa do adversário e a diferença de golos marcados e sofridos entre as duas equipas é de 0 para ambas (o SC Braga ganhou 1-0 em Guimarães e o Vitória SC ganhou 2-1 em Braga, ou seja, ambos sofreram e marcaram 2 golos).

Depois de semanas a apregoar o regulamento da Liga nas redes sociais, os Vitorianos pensaram que após o triunfo em Chaves, o deslize do SC Braga em casa e o consequente maior número de pontos alcançados na liga pelo Vitória, os media iam finalmente valorizar o Vitória (estávamos tão enganados…).

No almoço do Domingo de Páscoa fomos presenteados com um coelhinho de chocolate da SIC que se recusou a identificar o 4.º classificado da Liga NOS (aparentemente depois do 3 vem o 5 – a escola deles deve ser bem diferente da minha ou a SIC foi adquirida por asiáticos – para os asiáticos o número 4 é símbolo de azar e muitos recusam-se a usá-lo). Durante a semana A Bola TV também começou a servir-se das crenças e costumes asiáticos para informar os seus espectadores sobre a classificação atual da Liga…

Esta semana aprendi que Matemática que se ensina nos media hoje em dia deve ser bem diferente da dos restantes (deve ser algo tipo a “letra de médico”). Não é que para A Bola 9 vitórias do Vitória fora de casa são diferentes de 9 vitórias do Benfica fora de casa? Segundo eles nós somos a segunda equipa com mais vitórias fora de casa, depois do Benfica, mesmo tendo exatamente o mesmo número de vitórias (vá se lá perceber a matemática dos media)…

A “não tão boa” relação dos jornalistas com o Vitória SC (viram como escrevi? Não é difícil e até tem menos letras do que Guimarães) já é longa.

Basta recuar ao dia depois do Vitória ter-se apurado para a final da Taça de Portugal para ver o quão extremamente reduzido, conciso, sintético e breve foi o resumo do incrível jogo em Chaves (tenho quase certeza que seria impossível lerem esta frase até ao fim durante o resumo que deu na RTP, por exemplo). Isto já para não falar dos dias em que os jogos do Vitória não são sequer mencionados (mesmo quando jogou no dia anterior).

Mas sabem o quê que me irrita mesmo? O GUI. Está uma pessoa sentada em frente à televisão com o cachecol do Vitória e de repente apercebe-se que afinal não é o Vitória que está a jogar… É um tal de GUI… Afinal quem é o GUI?

O Vitória Sport Clube é frequentemente designado nos órgãos de comunicação como “o Guimarães”, “V. Guimarães” ou “Vitória de Guimarães”.

Em 2012 este assunto foi discutido pelo Provedor do Público. Comecei a ler o texto com muita atenção na esperança de ver uma solução ou um pedido de desculpas, mas tudo o que li foram desculpas sem sentido.

O editor do Desporto do Público, considerava naquela altura (não sei a sua opinião se mantém na atualidade, mas deduzo que sim) que era “impraticável identificar o Vitória Sport Clube” pelo seu nome oficial, “não só pela extensão da designação, como também pelo facto de o clube ser muitíssimo mais conhecido por Vitória de Guimarães”.

Como responder a isto? O clube é conhecido por Vitória de Guimarães porque os media persistem em tratá-lo assim. O seu nome sempre foi Vitória Sport Clube. Quanto ao nome ser longo: Vitória SC (totalmente aceitável) é bem mais curto do que V. Guimarães ou Vitória de Guimarães.

Numa segunda parte, o mesmo editor mencionava a existência de dois ‘Vitórias’ o que, segundo ele “inviabiliza que se designe qualquer um deles exclusivamente pelo primeiro nome, sob pena de confusão generalizada”.

Esta é aquela parte da conversa que me irrita constantemente. Primeiro, seria extremamente fácil tratar e distinguir os dois clubes por Vitória SC e Vitória FC e depois (lamento que a situação seja com o nosso maior rival, mas eu teria a mesma opinião se fosse com outra equipa qualquer) esse argumento perde todo o sentido a partir do momento em que o Braga deixa de ser designado por Braga para ser designado por Sporting de Braga em quase todos os órgãos de comunicação (tal começa a ocorrer por volta de 2009)… Nesta situação já não se torna confuso a existência de dois Sportings? O nome Sporting de Braga já não é longo?

O Provedor do Público acaba por concluir que “este é um caso em que fazer prevalecer uma conceção rígida do “direito ao nome” sobre outras considerações não passaria de um formalismo sem sentido útil”.

Sem sentido útil? É o nome do clube. É o nome da instituição. Os vitorianos amam Guimarães, mas o clube do nosso coração (infelizmente) não inclui Guimarães no seu nome.

Caros órgãos de comunicação: O nome do nosso clube é Vitória Sport Clube, estamos em 4º lugar na Liga NOS e merecemos respeito!

Note-se que o interesse no Vitória e nos seus adeptos pelos órgãos de comunicação tem crescido e no passado recente temos tido a possibilidade de assistir a peças incríveis como a reportagem da Sport TV “Ó Vitória, meu Vitória”.

Mais do que uma crítica, isto é um apelo para que, tal como fizemos no passado domingo, continuemos a mostrar o nosso descontentamento na esperança de que um dia eles acabem por nos ouvir. No domingo, a SIC Notícias acabou por retirar a notícia do site, a UEFA já mudou o nosso emblema no site oficial (que durante muitos anos esteve incorreto), o site da Liga já fez a alteração do nome e o site da Liga NOS já foi criado com o nome correto. O caminho será longo, mas como dizia o nosso antigo treinador, “o caminho faz-se caminhando” e aos poucos e poucos os media vão percebendo que os vitorianos estão atentos e que merecem respeito.

Todas as manhãs no meu caminho para o trabalho quando oiço a meteorologia na Rádio Comercial e mencionam Guimarães eu gosto de pensar que eles foram inundados de comentários, emails e telefonemas a reclamar porquê que se dizia o tempo em Braga e não em Guimarães (com todo o sentido porque eles dizem apenas distritos) que acabaram por ceder e colocar Guimarães lá no meio, mesmo sem ter sentido só para pararmos de chatear.

Portanto: continuem a mandar e-mails, a escrever comentários e a reclamar de cada vez que o nosso clube for desrespeitado (quer pela má utilização do nome, quer pela não menção ao clube) porque um dia eles acabarão por se cansar e começarão a tratar-nos com respeito (por favor, não o façam com faltas de respeito, façam-no educadamente)!

Sandra Fernandes, 27 anos, é orgulhosamente vimaranense, Vitoriana e Potterhead. É licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, Mestre em Gestão Desportiva pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e Especialista em Organização de Eventos e Protocolo Desportivo pela Universidad Camilo José Cela. O coração costuma falar mais alto do que a razão quando se trata do Vitória, mas vai tentar partilhar o que lhe vai na alma à segunda-feira.