Rui Correia, CDS: “O poder persegue e tudo isto apenas para que se possa continuar a ser poder”

Hoje estamos aqui presentes para a comemoração de uma data histórica para os portugueses. Para os portugueses em geral e para os vimaranenses em particular.

E nesta data convém recordar todos aqueles que fizeram o 25 de Abril e que o confirmaram no 25 de Novembro de 1975. E que, dessa forma, contribuíram para que Portugal fosse hoje um estado democrático, membro da União Europeia.

E todos eles o CDS presta a sua honrosa homenagem… na certeza de que o caminho aí iniciado ainda se encontra bastante longe de ter terminado.

E porquê digo isto?

Os exemplos estão aí à porta e são mais que muitos.

A liberdade tão apregoada não é uma verdade absoluta. O poder condiciona. O poder impede. O poder persegue e tudo isto apenas para que se possa continuar a ser poder. E não propriamente para trabalhar em prol das populações.

Num dia em que se comemora a liberdade, não podemos deixar de recordar a forma como na Assembleia Municipal, num episódio recente, se apelidou a oposição de má-fé, de cinismo, quando na verdade é o poder que não tem a humildade política de aceitar uma sugestão vinda da oposição.

Num dia em que se comemora a liberdade, não posso deixar de recordar a forma como se apelidam os deputados da CDU de “instrumentalização” pelo simples facto de terem a capacidade de ter opinião própria, ainda que diversa da do partido do poder.

Num dia em que se comemora a liberdade, não posso deixar de recordar a forma como são desrespeitadas as instituições ao colocar num café a consulta pública de um projeto para o centro das Taipas, sendo por coincidência a junta de freguesia e o seu presidente de partidos diferente do que exerce o poder.

Num dia em que se comemora a liberdade, não posso deixar de recordar as palavras do presidente de câmara que sucessivamente manifesta à oposição que se pretender aprovar as suas propostas as deve negociar previamente com quem exerce o poder. O que demonstra bem a forma como alguns encaram a democracia.

Sr. Presidente
Sr.s deputados

O 25 de abril não deixa todavia de ser uma data marcante. Para mim, para todos nós, mas principalmente para as minhas filhas, que nunca encararão qualquer tentativa de cercear qualquer das suas liberdades básicas, a começar pela liberdade de expressão.

E por isso ainda há um caminho enorme a fazer.

Eu quero, eu posso, eu devo contribuir para que a minha sociedade evolua.

Eu quero, eu posso, eu devo contribuir para que tu, que não pensas como eu, possas fazer com que a nossa sociedade evolua.

Eu não quero, eu não posso, eu nem devo contribuir para que nenhum de nós se veja diminuído na liberdade de pensar, de agir, de atuar, desde que com o respeito pelas regras da sociedade.

O poder só será poder, se for democrático.

Se não o for, apenas será ditadura e opressão e nesta luta teremos de estar todos do mesmo lado da barricada.

Sr. Presidente
Sr.s deputados

A liberdade como valor em si mesmo é um pressuposto para a prosperidade que ainda buscamos.

Dito isto, é preciso lembrar o passado, compreender o presente e projetar o futuro.

Lembrar que estas quatro décadas de democracia foram difíceis, mas valeram a pena.

Guimarães mudou. Evoluiu, cresceu.

A democracia trouxe-nos múltiplas vantagens, mas Guimarães precisa de pensar maior. Precisa de se abrir. Precisa de integrar, mais do afugentar.

Deveremos acolher…

Deveremos motivar e deveremos chamar, muito mais do que fechar.

E isto tanto é aplicável ao investimento como às próprias pessoas.

Sr. Presidente
Sr.s deputados

Os partidos da oposição em Guimarães demonstraram, com a assinatura do acordo de consenso político relativo à candidatura da Capital Verde Europeia, maturidade democrática e, acima de tudo, que perceberam qual o valor máximo a apontar para quem está na política.

O desenvolvimento da sua terra, melhor condição de vida para os seus cidadãos, projetos supra-partidários.

Pela parte do CDS estamos sempre dispostos a consensos em prol de Guimarães, dos vimaranenses.

Assim é desde 1974. Apesar de termos sido atacados no período do PREC, resistimos. Resistimos com a força da razão e a força da verdade, sendo um partido da democracia portuguesa reconhecido por todos.

Estamos cá e continuaremos aqui para dar voz aos vimaranenses, para trabalhar, para servir.

Está tudo bem?

É claro que não. Muito há a fazer. Muito há a trabalhar. Muito há a desenvolver. Se soubermos interpretar os sinais que a sociedade nos dá, seremos com certeza um concelho bem melhor daqui a 20 ou 30 anos. E para isso somos todos precisos.

Sr. Presidente
Sr.s deputados

Uma palavra final para um autarca que faz hoje o seu último 25 de abril nessa condição.

As divergências e lutas políticas travadas entre o CDS e António Magalhães, e foram muitas e muito duras, não nos permite que fiquemos silenciosos perante os últimos quatro anos de assembleia municipal onde sempre verificamos uma tentativa de servir imparcialmente e de ser o baluarte de uma cultura democrática que durante anos a fio vimos arredada de outros presidentes desta assembleia e que por vezes falta aos deputados da maioria, mas que não faltou a António Magalhães nestes anos, diga-se em abono da verdade.

Sr. presidente, as nossas divergências e as nossas diferenças, as nossas guerras políticas não nos podem fechar os olhos. Durante estes 4 anos tentou ser um presidente de todos e por todos, cumprindo as regras, se bem que essas regras deveriam ser outras, mas aí a culpa não lhe pertence.

Da nossa parte o nosso reconhecimento pela democraticidade e isenção destes 4 anos. Finalmente se reconheceu o direito à defesa da honra. Finalmente ela foi entendida como devia. Finalmente se reconheceram as figuras regimentais existentes.

Esta casa continuará a ser a sua casa.

Viva Guimarães,
Viva Portugal,
Disse.

Foto: CMG