Diana, Diana, Diana

COMEDORES!

Ainda em Guimarães. Apesar que triste saber de se ter ido alguém que muito me diz. Isso tento esquecer. Difícil. Tão difícil. Passo à frente.

Hoje e alguns anteriores são dias de festa na cidade. Dias de desassossego. Dias da iluminação artificial e eloquente. São dias de ver as gentes que lambem fronteiras. Estes, estes dias amenos, a desejar um “surf” com os amigos em Àrvore, a pedir que nenhum bar corra a cortina, a convidar para cerveja tardia na tasquinha do Tio Júlio, são dias bons. Agosto, sempre Agosto de reencontros e ultra-disposto. É bom. Agosto é bom.

Porém; e salve-me a alma de menina se jorro saliva envenenada, algo está irritantemente errado nesta cidade. Por mais que tente absorver a modernidade de certos manifestos, encarar as transformações ferrugentas, o capitalismo ridículo sugado de palhinha dos bolsos sofridos dos viventes desta cidade, há uma irritante, para não dizer nojenta, propaganda política que derrete toda e qualquer credibilidade daqueles que dão a cara,ou as duas caras, ou mesmo as três, com ou sem barba, com ou sem maquilhagem, com ou sem óculos de mirar. Comedores! É só o que ouve!

César Elias, 31 anos, escritor vimaranense. licenciado em Estudos Culturais pela Universidade do Minho, editou em 2010 “secretária antiga” (poesia), em 2012 “América” (romance), “A Cova da Moura”, (guião, bienal de Cerveira 2012). Publica contos, poemas e crónicas em alguns jornais.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.