Diana, Diana, Diana

Na Virgindade do Ar E se alguém me dissesse que assistir a um filme, ainda que mais ou menos bom, na liberdade do espaço, na virgindade do ar, seja não mais do que uma indubitável desculpa para ter as pessoas bem perto, eu acreditaria. Isso, aqui pela terra, é já mais do que um culto ou uma boa tradição. É uma necessidade austera. Recebi o convite para o cinema ao ar livre numa mensagem de uma aplicação. Eu que até pensava ser possível que batessem à porta para tal solicitude. Que inocência a minha. Mas tudo bem. A duríssima realidade … Continuar a ler Diana, Diana, Diana

Diana, Diana, Diana

COMEDORES! Ainda em Guimarães. Apesar que triste saber de se ter ido alguém que muito me diz. Isso tento esquecer. Difícil. Tão difícil. Passo à frente. Hoje e alguns anteriores são dias de festa na cidade. Dias de desassossego. Dias da iluminação artificial e eloquente. São dias de ver as gentes que lambem fronteiras. Estes, estes dias amenos, a desejar um “surf” com os amigos em Àrvore, a pedir que nenhum bar corra a cortina, a convidar para cerveja tardia na tasquinha do Tio Júlio, são dias bons. Agosto, sempre Agosto de reencontros e ultra-disposto. É bom. Agosto é bom. … Continuar a ler Diana, Diana, Diana

Diana, Diana, Diana

A morte do homem que morreu No dia do óbito do homem que morreu já a morte o esperava, serena, expectante, rotundamente concentrada em compactar a ansiedade dentro de si, mesmo que agitada por estar prestes a receber o seu mais fresco companheiro. Todos os mortos possuem a sua morte. Uma voz ligeira e sossegada, uma voz que nunca excede o timbre daquilo que tem que ser a voz de uma morte, uma voz encoberta por um vulto que não se vê mas que se sente, uma voz que já foi de alguém, em vida, e que se havia transformado … Continuar a ler Diana, Diana, Diana

Diana, Diana, Diana

Fotografias Por aí surgiu, algures numa gaveta, uma daquelas fotografias que bem me obriga a recordar outros tempos. Era uma fotografia pouco arrojada onde se podia atestar a construção do “Guimarãeshopping”. Ora, esse ícone da cidade, esse pontinho da modernidade era coisa, naquele momento da fotografia, muita diferente da de agora. Recordo o mais que naquela fotografia estava desenhado; uma confusão de autocarros que sempre parecia propositada, aqueles autocarros e camionetas da “Soares” que nenhum Vimaranense há-de esquecer e que pareciam levantar voo, até. E naquele lugar tudo parecia meio terroso, poeirento, desorganizado. Comprar um bilhete era como se nos … Continuar a ler Diana, Diana, Diana

Diana, Diana, Diana

Issa Mei Issa, destruída, amargurada, rompida pelo punhal do amor, deixou quebrar o corpo rendido pelas quatro paredes do estúdio semiluxuoso. O fluído lacrimal passara de prantaria a manchas secas nos lençóis vexados, a muco morto em todos os cantos. A braveza da raiva e do arrependimento era visível na cómoda vazia, nas bugigangas derramadas às avessas pelo chão, na roupa mal tratada e mesclada por toda a parte, nas garrafas partidas e no cortinado sempre aberto, esquecido, só. O que se poderia chamar de sentimento, lascado nele mesmo, já não era certamente algo rente a paixão. O corpo, quase … Continuar a ler Diana, Diana, Diana

Diana, Diana, Diana

Um calendário esquecido Esta é uma história que sei. O pouco que saberei contar. O mundo é a nossa maior surpresa, uma coisa bela e terrível. E ter pessoas é a obrigação que mais conta. Ter uma cidade, uma vila, um lugar, uma rua, uma cama. Somos muitos. Imaculadamente, por volta das onze horas da claridade do dia, entrava no quarto a mulher do homem velho, sem avisos, sem modos, sem que deixasse entender se para ela seria um bom ou um mau dia. Era mais um dia em que aquele homem velho permanecia deitado na cama, quase esquecido, inerte. … Continuar a ler Diana, Diana, Diana

Diana, Diana, Diana

Vitória e não morrer Hoje foi um dia de futebol. Fez anos que não entrava no estádio. Alguém do meu coração tirou de uma cartola um bilhetinho para me oferecer. E eu lá fui, como nos velhos tempos, para o alto da bancada que se põe a sul. O meu velho cachecol que amarro ao pulso, o tremor do chão, os gritos e os sorrisos, os palavrões de vergonha alheia. Vitória! É uma alegria. Ganhamos, hoje, que marcamos três e os outros dois. Hoje foi um dia de futebol e com ele veio-me uma lembrança preocupante. Não é que no … Continuar a ler Diana, Diana, Diana