O Grande Combate

O próximo mandato autárquico, levado a cabo por intérpretes, que sairão do acto eleitoral de 1 Outubro, será marcado pelo acentuar do combate à corrupção.

Nos mandatos anteriores, no âmbito da Assembleia municipal, vindas dos vários quadrantes políticos, inúmeras situações foram denunciadas e esbatidas pelos acusados, quantas vezes atabalhoadamente, deixando no ar a sensação de culpa no cartório.

Quantas denúncias, através cartas e telefonemas anónimos e por isso ignorados, chegaram aos diversos partidos vimaranenses.

Os empreiteiros, os “conhecidos” do presidente ou dos vereadores, eram vistos nos corredores e em frente do edifício da Câmara mas, com a chegada das novas tecnologias, as figuras desapareceram.

Quem frequenta os serviços camarários ou as suas empresas, vai encontrando, com surpresa, este ou aquele conhecido, o filho ou filha de um vizinho que sabe-se lá porque artimanhas, entrou para os “quadros”.

Até agora, o candidato que se predispôs, alto e bom som, a combater todo o tipo de corrupção, foi o do Bloco de Esquerda, Wladimir Brito.

A tarefa é difícil, porque o campo não se limita à câmara e suas valências.

Denúncias de graves situações, oriundas de IPSS´s, publicadas em alguns meios de comunicação, com um pouco mais de coragem, são ignoradas pela câmara que, sem qualquer controle, sobre o destino dos milhões que, periodicamente injecta naquelas instituições, vai assobiando para o lado.

A utilização abusiva de desempregados, por parte de instituições, incluindo a própria câmara, tem de terminar.

A denúncia, feita constantemente e a nível nacional, pelo Bloco de Esquerda, deve encontrar eco nos nossos governantes e a colaboração das câmaras municipais, para acabar com este flagelo de colocar trabalhadores, sem qualquer vínculo, a serem explorados por instituições que se intitulam de “solidariedade social” ou “santa casa”.

É precisamente nas autarquias, órgãos eleitos pelo povo, onde se deve centrar o combate à corrupção e ao medo a que dá origem.

A teia, de compadres e amigos, está de tal modo enraizada, que chegam ao ponto de se indignarem, quando aparece um corajoso, a denunciar uma falcatrua.

Esperemos que que as expectativas sejam confirmadas e o flagelo exterminado.

Joaquim Teixeira é deputado pelo Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Guimarães. É sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.