Guimarães está preparada?

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Portugal vive um momento importante ao nível do seu crescimento económico. A Europa prospera, o turismo continua a crescer, a indústria têxtil inverteu um ciclo negativo e os mercados internacionais voltaram a animar. Fatores mais que suficientes para Portugal aproveitar este momento robustecendo o seu tecido empresarial. Sem empresas não há emprego, sem emprego não há qualidade de vida, por melhor que seja o Estado social.
Na última reunião de Câmara partilhei uma reflexão que questionava se Guimarães está preparada para aproveitar esta fase positiva ao nível do crescimento económico.

Todos sabemos que hoje há uma competição feroz entre municípios para acolher novos projetos empresariais. Se até há uma década atrás a maioria das autarquias entendia que esta não era uma prioridade e muito menos uma área estratégica, hoje são raros os municípios que não incorporaram este desiderato nos seus planos de atividades. Uns com mais sucesso que outros, é certo.

Apesar da autarquia Vimaranense também ter percebido esta nova realidade dando alguns sinais de preocupação com esta área, questiono-me permanentemente se estamos a valorizar como devemos o essencial, ou se estamos a desfocar e a desperdiçar uma oportunidade de ouro.

Quando há dias li uma notícia que relatava dificuldades no acesso de camiões a um parque industrial com o caricato de terem de ser rebocados por um trator de um simpático agricultor vizinho, lembrei-me de um outro que não tem acessos e, pior ainda, rede de saneamento.

Estes exemplos levam-me a questionar se estamos preparados para receber novas empresas, novos projetos de expansão e mais importante ainda, se somos competitivos comparativamente com os concelhos que disputam os grandes investimentos industriais.
Manifestamente não estamos. Parece-me evidente que Guimarães não tem uma rede de parques industriais/empresariais capazes de responder às necessidades.

Infelizmente a Câmara Municipal continua a negligenciar o básico, aquelas que são as primeiras necessidades a estarem supridas quando queremos avançar para outros níveis de desenvolvimento. Não adianta ter super-incubadoras se não tivermos uma boa rede de zonas de acolhimento empresarial, com bons acessos, com os serviços públicos básicos garantidos e com capacidade de expansão.

Mas como diz o Presidente da Câmara, “já temos projeto”. Enquanto nós “temos projeto” outros municípios têm respostas concretas e estão uns passos à nossa frente.

Bruno Fernandes tem 39 anos e é licenciado em Contabilidade e Administração de Empresas. É Vereador eleito pela Coligação Juntos por Guimarães e foi Presidente da Junta de Freguesia de São Torcato. É presidente do PSD Guimarães. 

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