Eleições do Vitória: Cada vez menos votantes desde 2004

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Desde que Vítor Magalhães derrotou Manuel Almeida, numas eleições com 6.780 votos, a participação dos sócios do Vitória tem diminuído de eleição para eleição, até ter atingido o mínimo de 1.319 no sufrágio que ditou a recondução de Júlio Mendes, então à frente da única lista, como presidente do clube. O ato mais concorrido de sempre, entre Pimenta Machado e José Arantes, em 2000, contabilizou 7.099 votos.

Por Tiago Mendes Dias

Os sócios do Vitória voltam, no sábado, a deslocar-se ao pavilhão do clube para depositarem a sua escolha para os órgãos sociais na urna de voto. Desta feita, as opções para a presidência do clube são Júlio Vieira de Castro, sócio 2.035 e candidato pelo movimento ‘Novo Vitória’ (lista A) e Júlio Mendes, sócio 7.084, presidente do maior emblema desportivo do concelho desde 2012 e candidato pelo movimento ‘Contigo Vitória (lista B).

Estas eleições, as nonas na história do clube com mais de uma lista aos órgãos sociais, surgem após uma tendência de quebra de votantes que já dura há 14 anos. Vítor Magalhães, atual presidente do Moreirense, derrotou então, em 2004, Manuel Almeida com a maior percentagem alguma vez conseguida numas eleições do Vitória (84,6%), ao recolher 5.702 dos 6.780 votos contabilizados – 1.040 sócios preferiram o outro candidato, 19 votaram nulo e 19 em branco.

Doravante, os órgãos sociais foram eleitos por cada vez menos sócios até 2015, quando Júlio Mendes se recandidatou a um segundo mandato sem oposição: o atual presidente recolheu 1.214 dos 1.319 votos (92%), numa eleição com 86 votos brancos e 19 nulos.

Pelo meio, Emílio Macedo da Silva tornou-se presidente do Vitória em 2007, ao vencer com 3.754 dos 5.681 votos (66,1%) o único escrutínio do clube que, até hoje, reuniu três candidatos. Manuel Rodrigues, que concorrera com Pimenta Machado em 2003, contabilizou 1.233 votos (21,7%), enquanto André Pereira, então com 24 anos, somou 525 votos (9,2%), numas eleições com 169 votos brancos ou nulos.

Macedo da Silva foi reeleito três anos depois num sufrágio ao qual compareceram 5.408 sócios. O então presidente recolheu 3.302 votos (61,1%), ao passo que o seu opositor, Pinto Brasil, somou 1.721 (31,8%). A reeleição ficou marcada pelo maior número de votos em branco entre todos os atos eleitorais do clube, 326 (6%), com os 59 votos que restaram a serem considerados nulos (1%).

Volvidos dois anos, na sequência da demissão de Emílio Macedo da presidência, em fevereiro, Júlio Mendes assumiu a liderança do clube a 31 de março, após recolher 3.134 dos 5.263 votos (59,5%) e impor-se a Pinto Brasil, que, à segunda tentativa, aumentou ligeiramente a votação, para 1.814 (34,5%). Registaram-se ainda 254 votos brancos (5%) e 61 nulos (1%).

Um ano depois, no único sufrágio ao qual os sócios vitorianos foram convocados não eleger órgãos sociais, mas para aprovar ou chumbar a criação de uma Sociedade Anónima Desportiva (SAD), 945 dos 1.303 votantes (72,5%) autorizaram o novo modelo de gestão, sobrepondo-se aos 340 em sentido inverso (26,1%), aos 17 brancos (1,3%) e a um nulo.

Duelo entre Pimenta Machado e Arantes foi o mais concorrido

As eleições de 2000, entre o então presidente, António Pimenta Machado, e José Arantes, foram as únicas que até hoje atraíram mais de 7.000 sócios às urnas. Depois de 20 anos em que apenas por duas vezes teve oposição em eleições – derrotou Armindo Pimenta Machado em 1984, com 66% dos votos, e Eduardo Fernandes, em 1988, com 68% -, Pimenta Machado foi reconduzido por mais três, ao conquistar a preferência de 4.493 dos 7.099 sócios votantes (63,3%). Arantes, por seu turno, recolheu 2.573 votos (36,2%) num escrutínio em que 33 sócios votaram branco ou nulo.

Três anos depois, o dirigente que ficou celebrizado pela máxima “no futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira” ganhou, pela última vez, uma eleição do Vitória, com 3.979 dos 6.067 votos (65,6%), impondo-se aos 1.968 (32,4%) de Manuel Rodrigues. Houve ainda 101 votos brancos e 19 nulos.

Abstenção tem crescido

A diminuição do número de votos tem sido acompanhada pela tendência de subida da abstenção desde 2000, ano em que se registou um mínimo de 24,1% na disputa entre Pimenta Machado e Arantes (votaram 7.099 dos 9.356 sócios elegíveis). Desde então, apenas entre 2004, quando Vítor Magalhães venceu umas eleições nas quais votaram 6.780 dos cerca de 12.000 sócios elegíveis (43,5%), e 2007, quando Emílio Macedo foi pela primeira vez eleito num universo com 8.928 sócios elegíveis, a abstenção caiu, fixando-se nos 36,4%.

Nos últimos três atos eleitorais, a abstenção disparou graças a um crescimento acentuado do número de sócios elegíveis. Se, em 2010, quando Emílio Macedo foi reconduzido, a abstenção chegou aos 54,2% num universo de 11.800 sócios com hipótese de votar, em 2012, aquando da primeira vitória de Júlio Mendes, a percentagem subiu para cerca de 69%, quando o número de sócios inscritos no caderno eleitoral ultrapassava os 17 mil.

A abstenção atingiu o pico de 93,4% há três anos, quando 1.319 entre 19.877 sócios com direito de voto reelegeram Júlio Mendes.

No sábado, a disputa entre Júlio Vieira de Castro e Júlio Mendes vai contar com bem menos sócios inscritos nos cadernos eleitorais, 13.609. Até 14 de março, 10.129 associados já tinham adquirido a quota de fevereiro, necessária para irem às urnas.

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