A mesma receita dá sempre os mesmos resultados

Arroz seco nunca me sai bem. Tenho para mim que sou um cozinheiro competente, mas a verdade é que, essa aparente banalidade, se transforma, para mim, numa ciência transcendental.

Por muito que tenha esta noção, não mudo, de umas vezes para as outras, nada do meu processo de confeção. Surpresa das surpresas: nada se altera!

Serve isto para dizer que dificilmente podemos esperar resultados diferentes se repetimos permanentemente a mesma receita.

Nem de propósito, por falar em culinária e nesta “lapalissada”, li esta semana duas notícias bem exemplificativas dos extremos desta realidade.

De um lado, o restaurante vimaranense “A Cozinha por António Loureiro” juntou o garfo de prata do Guia Boa Cama Boa Mesa, do Expresso, à Green Key que ostentava desde o ano passado pelas suas boas práticas ambientais.

Do outro, uma notícia de um jornal local que anunciava a morte do comércio local em plena Rua de Santo António, onde a certa altura se podia ler: “…tem a ver com a Câmara e com a ACIG pois são pouco cuidadosos com o comércio tradicional. Evoluiu-se muito pouco, porque vejo lojas que se mantêm iguais há 20 anos”.

Se de um lado temos um empresário do centro histórico, que através da sua visão conseguiu abrir um negócio diferenciador, com uma tónica forte direcionada para a sustentabilidade ambiental, e apresenta um serviço que o faz figurar entre os melhores restaurantes do país, do outro temos alguns empresários resignados à imobilidade dos seus negócios, procurando justificações em alguns fatores externos.

Esta é uma história antiga e que, em alguns argumentos apresentados, será possível de debater com calma e ponderação, procurando perceber o que se passa na cidade e encontrando soluções para algumas debilidades que possam ser trabalhadas.

Aquilo que o exemplo positivo utilizado, e outros que se lhe poderiam juntar, apresenta é uma capacidade de ser diferenciador, de oferecer aquilo que não é possível encontrar na voracidade da refeição rápida ou no atendimento mecanizado de, por um exemplo, uma grande superfície.

Além do serviço prestado, também a aposta na comunicação, na publicidade em meios, no estreitamento de relações com parceiros externos, na criação de atividades paralelas ao seu core business para dinamizar a procura do mesmo, e um conjunto vasto de motivos que fazem com que um negócio tenha sucesso.

Curiosamente, e ficando-me pelo mesmo exemplo positivo, não mora no Largo do Serralho qualquer atenção especial como iluminação festiva, espetáculo cultural ou sonorização da via pública. Por muitos méritos que qualquer uma destas soluções possa ter.

A verdade é que alguns setores comerciais da cidade precisam de encontrar novas soluções. E algumas até podem passar pelo município, mas, seguramente, não todas.

Repetir a mesma receita é que não me parece solução. Porque os resultados, aparentemente, não são do agrado de todos.

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.