Verdes são os campos

Começo este artigo, com uma estrofe da balada de Zeca Afonso, porque foi o sentimento que em mim nasceu, quando se começou a falar da candidatura de Guimarães, a Capital Verde Europeia.

Desde o início da minha actividade política, como membro da Coordenadora Concelhia e deputado municipal, o ambiente foi e continua a ser, depois da acção social, a minha/nossa principal preocupação.

Desde intervenções na Assembleia Municipal (A.M.), iniciativas de vários tipos, denunciando descargas ilegais, nas florestas, montes, matas e cursos de água.

Perante as práticas, consideradas normais, por parte das populações, em que atirava para o monte ou para o rio, todo o tipo de materiais que, ao longo dos anos e cobertos pela água ou vegetação, ali apodreciam, constituindo verdadeiras armadilhas para quem frequentava aqueles locais.

Desde o rio Ave até ao mais pequeno ribeiro, passando por vários locais, à margem das estradas e junto de contentores, podemos ver, ainda hoje, depósitos e descargas industriais.

“E pure, si muove”! Ao contrário do que acontecia no passado, as pessoas reagem de outro modo, vão tomando consciência de que, denunciando estas práticas, estão a defender o seu património.

A candidatura a Capital Verde, mesmo com algum aproveitamento político, por parte de quem a promove, independentemente da sua eleição ou não, será um importantíssimo passo, no sentido da consciencialização social, perante o problema ambiental.

Acresce que, quando se deu início ao processo, a câmara procurou envolver toda a sociedade, incluindo os partidos com assento na AM, num protocolo que todos assinaram, comprometendo-se a apoiar a candidatura, sem prescindir da crítica que, em todos os momentos, deve ter um cariz construtivo.

A atitude correta, quando acontecem problemas, como sucedeu, por estes dias e pela enésima vez, no rio Selho, será alertar as autoridades e depois denunciar publicamente e através de qualquer meio.

Em vez disso, alguns elementos ligados à direita Vimaranense, preferiram privilegiar o espectáculo, ao contrário dos partidos de esquerda que, imediatamente questionaram o ministério do ambiente, procurando responsabilizar quem de direito.

É certo e sabido que, a direita, tem dificuldade em conviver com a cultura, seja democrática ou ambiental, esquecendo que, em causa, está o futuro do ar que respiramos e da água que bebemos.

Em todos os sectores da nossa sociedade, tem de haver um esforço suplementar, no sentido de recuperarmos o atraso, relativamente ao resto da Europa, sob pena de continuarmos a fazer figura de ricos, com culturas de terceiro mundo.

A nossa realidade ficará sempre exposta, de cada vez estale o verniz, com que vamos disfarçando as nossas fragilidades.

Joaquim Teixeira é militante do Bloco de Esquerda e é sócio-fundador e atual tesoureiro da associação NCulturas.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.