O direito a uma Escola segura!

Há dias em que as iniciativas parlamentares merecem a atenção de todos. Ontem, sexta-feira 13, foi um desses dias. Pena é que a partir das agendas da Comunicação Social apenas se dê atenção a um dos assuntos.

Adiante, para os alunos, e seus encarregados de educação, da Escola Básica de Vallis Longus, de Valongo, ontem ficou mais uma vez confirmado que a reabilitação desta escola é urgente. Por iniciativa também do PEV, a Assembleia da República recomendou ao Governo que desenvolva as medidas necessárias para a urgente reabilitação da escola de Valongo de modo a garantir o direito à educação e proporcionar condições dignificantes a toda a comunidade escolar.

Podem relaxar o rosto e retirar as rugas da testa, não vos venho falar do problema das escolas de todo este belo país à beira mar. Só queremos aqui sinalizar que esta resolução podia ser sobre tantas outras escolas. Muitas são as escolas que necessitam de obras urgentes para que todas as crianças e jovens tenham as mesmas condições de aprendizagem na Escola Pública. Todos deveriam ter as mesmas oportunidades, mas nas condições precárias em que algumas se encontram não é possível que todos os alunos desenvolvam as capacidades/competências necessárias para um bom desempenho profissional e pessoal, com autonomia e espírito crítico.

Assim encaminhamo-nos para o panorama concelhio. O projecto de resolução do Partido Ecologista «Os Verdes» sobre a urgente reabilitação da escola de Valongo poderia muito bem ser sobre a urgente reabilitação da Escola EB2,3 de Pevidém ou sobre a urgente reabilitação da Escola EB1 de Motelo.

Também as escolas do município de Guimarães estão a necessitar de obras de reabilitação e o investimento deveria ser mais célere e urgente, para que nenhuma criança fique prejudicada no seu percurso escolar.

Por muito caminho que se tenha feito na educação e na melhoria das condições das escolas do concelho, não nos pode inebriar ao ponto de esquecermos que alunos vimaranenses frequentam escolas onde chove nas salas de aula e nas bibliotecas. Escolas que se encontram num tal estado de degradação que podem ocorrer problemas graves para alunos, professores e auxiliares. Os telhados que necessitam de reparações urgentes, as janelas que se tornam difíceis de abrir ou fechar sem a função essencial de não deixarem passar frio nem calor.

Não podemos continuar a permitir que em 2018 ainda se inaugurem escolas como se fossem grandes actos de investimento. Não passam de investimentos tardios que atrasam o desenvolvimento escolar de algumas crianças do concelho.

É necessário continuar a dar força aos encarregados de educação que reclamam melhores estabelecimentos escolares para os seus filhos nas suas zonas de residência, mesmo que afastadas do centro da cidade. Lutam para que as gerações mais novas se afeiçoem ao local onde nasceram sem sentirem que são esquecidas.

Sim, também em Guimarães existem escolas em estado avançado de degradação, escolas essas que necessitam de ser pensadas para responderem às necessidades dos alunos. Há cantinas escolares que continuam a não se encontrar dentro dos estabelecimentos de ensino mesmo quando estes têm as condições físicas necessárias, como por exemplo cozinhas, ou até mesmo espaços para as Actividades dos Tempos Livres. Como é o caso da Escola EB1 de Motelo.

Os espaços exteriores são também esquecidos, corredores com coberturas antigas e degradadas, que em dias de vento podem partir e provocar graves ferimentos na comunidade escolar. Espaços que fazem falta para se abrigarem da chuva enquanto aguardam pelo início das aulas ou para poderem brincar no recreio ao ar livre. Espaços onde os alunos possam correr, livremente, sem que a qualquer momento um pé mal colocado num dos muitos buracos do pavimento se transforme numa grave queda.

Também as escolas de Guimarães precisam de ser pensadas, com a ajuda dos estudantes, dos encarregados de educação, da comunidade e do executivo camarário. Também em Guimarães temos de exigir ao Governo meios para as valorizar. Se investirmos no presente seremos capazes de prevenir um futuro sem escolas ao abandono e fechadas.

Mariana Silva, 34 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.