A Utopia: 25 de abril sempre!

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Não era nascido em 1974. E esse facto deixa-me sempre dividido, num misto de felicidade por não ter conhecido o fascismo e a inveja de quem viveu os tempos de libertação. Homens e mulheres de coragem, perseguidos pelo regime fascista, que não deixaram de sonhar com um país diferente.

Por muito que achemos que os dias de hoje também nos trazem desafios importantes, nada será tão significativo como as conquistas que o Povo, o que viriam a ser os seus representantes e os militares, conseguiram naquela manhã de primavera.

E isso pode-nos deixar invejosos. Mas deve, principalmente, deixar-nos orgulhosos de quem nos deu este País, e responsáveis por cuidar desta concretização daquele sonho que tiveram.

Com o 25 de abril veio a Paz. O fim da Guerra Colonial era urgente e foi, provavelmente, o facto que mais acelerou a libertação de toda as outras amarras a que o País estava preso.
A opressão à liberdade de expressão, a PIDE, o direito ao voto sem limites de género ou preferência partidária, os salários mais dignos, a capacidade de elegermos os nossos representantes e, principalmente, a porta aberta para construirmos uma sociedade mais justa.

Foi o que se lhe seguiu por todo o País.

Hoje temos um Portugal incomparavelmente melhor que em 1974.

Foi o que se lhe seguiu em Guimarães, também.

Sucessivos executivos municipais, eleitos pelo povo e liderados por Edmundo Campos, António Xavier, Manuel Ferreira, António Magalhães e Domingos Bragança, fizeram de Guimarães incomparavelmente melhor que em 1974.

Com um Centro Histórico que nos valeu a distinção como Património da Humanidade. Com um setor cultural que nos valeu a Capital Europeia da Cultura de 2012, a terceira do nosso País.

Celebrar Abril é, também, celebrar tudo isto. E responsabilizarmo-nos por continuar a sonhar e a construir mais e melhor Guimarães, mais e melhor Portugal.

A Câmara Municipal decidiu homenagear José Afonso durante os próximos dias. E eu pedirei as palavras emprestadas ‘ao Zeca’ para terminar. Porque é da Utopia que nascem as melhores realidades.

“Cidade sem muros nem ameias
Gente igual por dentro, gente igual por fora
Onde a folha da palma afaga a cantaria
Cidade do homem, não do lobo mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormes nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu! A ti o deves. Lança o teu desafio.”

 

 

Paulo Lopes Silva, 30 anos, é Adjunto para a Cultura da Vice-Presidente da Câmara de Guimarães. Líder parlamentar da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Guimarães, de que é membro desde 2009, ano em que foi candidato a presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Licenciado em Engenharia Informática e Mestre em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho. Foi Diretor Nacional de Organização do Partido Socialista entre 2011 e 2014.