Sónia Ribeiro: “O 25 de Abril só fará sentido se formos todos capazes de elevar os valores da democracia plena”

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Comemoramos hoje o 44º aniversário da Revolução dos Cravos, a qual teria sido,
senão impossível, muito mais difícil de alcançar, sem o contributo fundamental do
Movimento dos Capitães de Abril.

O povo saiu à rua, na luta pelos mais elementares direitos.

Direito à saúde, ao ensino, à justiça, à habitação, ao trabalho com direitos, à opinião,
à liberdade de expressão, entre muitos outros.

A construção do estado social, do Serviço Nacional de Saúde, o acesso mais
democrático ao ensino, eram e são alguns dos pressupostos que à época conduziram à
luta.

Também hoje essa luta se mantém necessária.

Assistimos constantemente a ataques à democracia, à liberdade, à individualidade,
tanto no nosso país, como por esse mundo fora.

A situação é preocupante: jornalistas que investigam a corrupção mortos na
Eslováquia e em Malta, presos políticos na Catalunha, massacres constantes na
Birmânia, Síria e Palestina.

Os atropelos aos direitos reconhecidos na Constituição da República Portuguesa são
disso prova também, como a desigualdade entre homens e mulheres na sociedade e
no mercado laboral.

Isto levam-nos, infelizmente, a concluir que ainda há um longo caminho para que, os
ideais que o 25 de Abril representa, sejam cumpridos na sua totalidade.

Por isso, é da maior importância que o Município de Guimarães dedique este mês a
homenagear Zeca Afonso, artista tão relevante na revolução do povo, cujas letras
representam ainda tanto para nós.

Hoje, 44 anos depois, continua a se urgente lutar contra o neoliberalismo, contra a
pobreza e desigualdade, que alguns setores políticos, e não só, continuam a insistir
ser o caminho.Os juros da dívida pública, os milhares de milhão entregues à banca privada, as más escolhas políticas, empurram o país para um rumo que não é o que queremos.

O 25 de Abril só fará sentido se formos todos capazes de elevar os valores da
democracia plena, na luta constante pelos ideais de liberdade, igualdade e
solidariedade.

Por mais e melhor emprego, com direitos e salário justo, revogando as normais mais
gravosas do Código do Trabalho.

Pelo respeito por quem trabalhou uma vida inteira, garantindo o direito à pensão sem
penalizações para quem completa 40 anos de descontos.

Pelo reconhecimento da morte com dignidade, despenalizando a eutanásia e
reforçando os cuidados continuados.

Pela alteração da lei de bases do Serviço Nacional de Saúde, deixando de acobertar
negócios privados à custa da saúde dos portugueses.

Este governo tem sido modesto nas medidas que fazem toda a diferença no nosso
país, apesar da pressão da maioria parlamentar que o sustenta.

Para o Bloco de Esquerda esta na hora do Governo assumir os seus compromissos, ou
mostrar, de uma vez por todas, aquilo de que é feito.

O Bloco de Esquerda estará sempre na defesa dos interesses fundamentais para
Portugal e para os portugueses, desde as questões mais simples, até às que que
possam ser mais controversas.

Continuaremos numa luta firme e determinada pela melhoria das condições de vida
de todos e todas.