A Boa Oposição

Em Guimarães a democracia socialista-absolutista tem boa oposição.
Da esquerda à direita do regime eleito pelos Vimaranenses, o poder conta com boa oposição.
Quem tiver a inteligência de aproveitar a boa oposição terá certamente melhores resultados.
Tem sucedido ao longo dos anos com discussões e propostas em que o poder desdenhando da oposição que tem, compra à socapa as suas ideias para logo lhes mudar a embalagem e assim apresentar novas propostas tanta vezes nascidas no contributo dos outros.
O regime podia e devia aproveitar melhor a boa oposição que tem.
Para lá dos discursos bonitos do 25.Abril há um mundo de possibilidades para construir a democracia e congregar as vontades de todos para a construção de uma comunidade melhor.
Assim sucedeu com a Capital Verde Europeia.
Os Vimaranenses subscreveram a proposta socialista nas autárquicas de 2013.
E portanto, com um desportivismo assinalável, numa assumpção plena de responsabilidade que releva o papel do poder e da oposição, todos os partidos aceitaram fazer parte de um novo desígnio colectivo.
E cada um à sua maneira o abraçou.
Mas ainda a tinta do acordo político não tinha secado e já o regime erguia propaganda a lembrar que a Capital Verde Europeia tinha paternidade, não fosse o consenso apanhar alguém distraído e pudesse dar louros eleitorais a outros quando cabiam apenas a um: ao Partido Socialista e a mais nenhum.
Este pequeno trecho de memória importa pois expõe a lógica perversa dos que conseguem criticar a oposição por não deixar de dizer o que pensa sobre não termos atingido o objectivo da Capital Verde Europeia.
A oposição em Guimarães é boa e recomenda-se!
Quanto mais não fosse porque existe ao fim de três décadas de poder absoluto – legítimo mas absoluto.
Porque assume as suas responsabilidades e participa activamente no que importa para Guimarães.
Porque contribui de forma competente num enquadramento de actividade política que confronta um poder profissional com uma oposição necessariamente amadora.
Se mais não faz é porque não lhe dão oportunidade ou condições para tal.
Ainda assim, a boa oposição que se faz em Guimarães alertou em tempo útil para a eventual extemporaneidade de uma candidatura que tendo o condão de empurrar Guimarães para padrões ambientais tendentes a uma maior sustentabilidade e consciência ambiental, estava a iniciar um caminho que não devia ter como objectivo principal a medalha mas a preparação para a conquistar.
A boa oposição que se faz em Guimarães chamou a atenção para a incoerência do discurso com a prática nomeadamente nos instrumentos de planeamento e gestão do território – o PDM em Guimarães esteve praticamente 20 anos parado – e na gestão dos recursos hídricos – as descargas poluentes e a poluição do Rio Ave são problemas que se arrastam há décadas.
A boa oposição que se faz em Guimarães praticamente passou um cheque em branco ao poder vigente e quase não questionou todo o investimento que o Município entendeu por bem realizar em projectos que visavam a incorporação de mais-valias ambientais fosse no domínio da eficiência energética, na promoção de estilos de vida mais amigos do ambiente ou em qualquer outra das várias áreas em que o regime entendeu investir o dinheiro dos impostos dos Vimaranenses.
Portanto a Capital Verde Europeia é um bom exemplo da boa oposição vimaranense a contribuir para um desígnio colectivo.
Conhecido o resultado, a boa oposição não pediu licença para opinar.
E muito bem.
Da esquerda à direita, foram assinaladas evoluções positivas e apontados erros no caminho.
Se o consenso político foi pouco aproveitado e se o poder aproveitou pouco a vontade de contribuir dos outros que aceitaram fazer parte do consenso sobre a Capital Verde Europeia, o regime só se pode queixar-se de si próprio.
Tem boa oportunidade para aprender com os erros: deixando de ser a má oposição à boa oposição para passar a governar melhor com a boa oposição.
Porque o desígnio colectivo se mantém é hora de juntar todos novamente.
Para reflectir sobre o objectivo comum hoje reforçado por uma avaliação séria e idónea que aplaude as virtudes e assinala as fragilidades, que aponta caminhos a seguir e nos coloca mais perto de um concelho mais amigo do ambiente.
Estamos hoje em condições de fazer melhor, sem pressas.
Para que possamos todos merecer a medalha e não apenas correr para ela.
Alexandre Barros Cunha, 34 anos, engenheiro civil de formação abraçou a gestão de operações por vocação. Tendo liderado a JSD em Guimarães e no distrito, é hoje deputado municipal, vice-presidente do PSD Guimarães e membro do Conselho Nacional do PSD.