Dialética Política: Ainda a rotunda de Silvares

André Coelho Lima antecipa que o problema de trânsito na rotunda de Silvares – que classifica de “martírio” – vai manter-se até às próximas eleições. Questionou ainda a escolha do viaduto, quando confrontado com a declaração de Domingos Bragança de que o presidente da Câmara pediu às Infraestruturas de Portugal que “não fosse a solução mais barata”. Já o edil esclareceu que sendo “um local tão melindroso em Guimarães”, que as questões económico-financeiras não fossem um entrave.

André Coelho Lima, Coligação Juntos por Guimarães

Aquele acesso da autoestrada e a rotunda existem desde 2005: é um problema há 13 anos. Não houve nenhuma atuação sobre aquela urgência de intervenção no desnivelamento da rotunda da autoestrada nestes 13 anos. É importante que as pessoas percebam o efeito positivo que a política pode ter, que o debate político pode ter designadamente por parte da oposição.

Esta questão foi das mais debatidas durante a campanha eleitoral, está agora em vias de resolução. Obviamente que estamos satisfeitos e vou manter aquilo que disse desde início: seja a solução por viaduto, seja por túnel, é uma solução que nos agrada porque o que queremos é a resolução daquela questão.

Dito isto, é preciso perguntar ao presidente de Câmara se foram estudadas alternativas: uma vez que foi apresentada a solução em túnel e sabemos que aquela é uma zona de enormes inundações e de lençóis freáticos muito substanciais, se foram estudadas alternativas. O presidente da Câmara disse que sim mas que pediu que não fosse a [solução] mais barata. Portanto a resposta foi clara: fiquei completamente esclarecido.

A solução que apresentávamos, tal como dissemos em tempos, era a mais barata, a mais eficaz e a que causava menores constrangimentos na circulação automóvel enquanto decorrer a intervenção. Porque não tem que se cortar o trânsito enquanto se coloca o viaduto.

E também o único senão é o impacto paisagístico. Convenhamos, que não estamos a falar de uma zona que tenha vistas para lado nenhum. A Câmara pediu às Infraestruturas de Portugal que não fosse a opção mais barata. É isto que o presidente de Câmara aqui nos disse como todos pudemos ouvir. Porque é que pediu? Terá que ser o presidente da Câmara a responder.

Eu não quero acreditar que a Câmara tenha pedido a uma unidade do Estado para gastar mais dinheiro do que aquilo que poderia numa outra alternativa para cumprir um capricho político-partidário. Não quero acreditar que possa ser uma coisa dessas. Ou seja, dito de outra forma, para não se fazer aquilo que nós propusemos em campanha eleitoral. Agora isso já terá que ser o presidente de Câmara a responder.

Da minha parte é satisfação porque foi uma luta que fizemos que agora chega ao seu fim e, enfim, fica claro que a opção que foi tomada não foi a mais barata mas foi outra. Qual foi o critério, terá que ser o presidente de Câmara a esclarecer.

[Sobre obra avançar apenas em 2019] Desagrada-me completamente porque vamos quase fazer 20 anos.

Já todos sabemos o que vai acontecer: vai cair em cima das próximas eleições e portanto, de eleição em eleição, elas discutem-se numa eleição e depois constroem-se para favorecer a reeleição seguinte. E com isto as pessoas vão ter que se preparar para mais três ou quatro anos de martírio.

Porque aquilo é de facto um martírio diário. Pelos vistos, há outras prioridades e portanto esta não é tão prioritária quanto isso. Talvez se se fizesse o que tínhamos proposto, como eu disse em devido tempo, eram três meses para fazer aquela intervenção porque o viaduto faz-se com peças pré fabricadas, chega-se ali e instala-se. É uma obra simples, de simples execução. Decidiu-se fazer uma coisa complicada e quem vai padecer com isto são as pessoas que ali passam todos os dias.

Domingos Bragança, presidente do município

Eu pedi a melhor solução. Apresentei às Infraestruturas de Portugal esta nossa… Este nosso querer de que ali, na rotunda de Silvares, estudassem todas as soluções e apresentassem a melhor solução. E fui mais longe: Disse-lhes que não considerassem que a melhor solução tinha a ver com questões económico-financeiras, porque é uma solução… É um sítio tão melindroso, tão sensível de Guimarães… Da entrada de Guimarães, que não colocassem a questão de ser a solução mais económica, porque… Enfim, se não fosse esta, abria outra melhor, mas era muito mais cara.

Não disse… A Câmara de Guimarães está disponível para cooperar na solução financeira, se essa solução for a mais cara. Portanto, não entra como restrição para a melhor solução a questão financeira e eles não colocaram como restrição a equação financeira para a melhor solução e apresentaram a melhor solução.

Todas as possibilidades foram consideradas, sentido de Guimarães para… Da autoestrada para Guimarães, de Guimarães para a autoestrada, da questão da ligação a Silvares, da ligação a Pevidém… Tudo foi considerado. Até o próprio viaduto pedonal foi considerado e que vai agora ser removido e colocado um outro, não é?

Até também vai ter ciclovia, portanto já está o próprio percurso pedonal vai ter a ciclovia. Portanto, tudo isto foi considerado e foi considerado pelas Infraestruturas de Portugal, de quem… A entidade que é responsável pelo projeto e pela obra. Foi considerada a melhor solução.

Em contexto de reunião de Câmara, o órgão que governa dos destinos do município, os temas são quase sempre debatidos a duas caras. Este exercício de dialética política serve para conhecer os argumentos que suportam as aprovações, abstenções ou chumbos que, de quinze em quinze dias, vão marcando a cidade. O seu a seu dono: discursos transcritos na primeira pessoa.
Este trabalho conta com o apoio da:

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