O salário aumentou e o diabo não chegou.

Devolver rendimentos, aumentar os salários, criar novos empregos, para fazer crescer a economia foram apresentados, em 2015, como os principais objetivos do atual Governo. Assim tem sido. De 505€ em 2015 (atualmente em €580,00) o salário mínimo nacional chegará no próximo ano aos 600€ (pagos em 14 meses). Crescerá nestes 4 anos, pelo menos 19%, ou seja, cerca de 95€ para cada trabalhador de acordo com o compromisso do Governo.

Longe vão os tempos, felizmente, em que Portugal era liderado por Governantes de Direita que defendiam o empobrecimento dos portugueses, e a diminuição do salário mínimo como “medida sensata” para o combate ao desemprego, ou para o equilíbrio das contas públicas. Em que os casos Irlandeses ou Franceses eram citados como casos de sucesso quando diminuíam os salários e o salário mínimo em particular.

O atual governo e a atual maioria provou que havia outro caminho. Eliminando os cortes nos salários e nas pensões (que se preparavam para ser definitivos), aumentando o salário mínimo, pressionando a subida generalizada dos salários. Hoje Portugal é um farol de esperança na Europa. Basta olhar para os nossos vizinhos Espanhóis que esta semana tentam recuperar o tempo perdido, fixando de uma só vez (o que Portugal fez faseadamente nos últimos 4) um aumento significativo do Salário Mínimo Nacional (cerca de 20%), que passará para 900€.

Ora, nem diabo. Nem aumento do desemprego. Nem recessão económica. Nem desequilíbrio das contas públicas. Pelo contrário. Apesar e por causa dos aumentos salariais Portugal regista uma taxa de desemprego histórica (cerca de 6%), um ritmo de crescimento económico acima dos últimos 10 anos, mais exportações das nossas empresas e contas públicas equilibradas.

O aumento do salário mínimo deve, contudo, prosseguir. Sempre numa perspetiva de diálogo com todos os parceiros sociais, sindicatos e entidades patronais porque o aumento dos salários não pode ser feito à custa da perda de outros direitos postos em causa no passado recente (precaridade no trabalho, sem aumento da jornada de trabalho e sem facilitação dos despedimentos). Este consenso faz-se com todos.

O salário mínimo nacional chegará a 600€ em 2019, por iniciativa e compromisso do atual Governo porque é justo para os trabalhadores, é bom para a economia e para o País em que acreditámos. O salário aumentou e o diabo não chegou.

Luís Soares, 35 anos, Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra. Lidera a Concelhia do Partido Socialista em Guimarães desde 2018 e desempenha o mandato de Deputado à Assembleia da República e de Presidente da Junta de Freguesia de Caldelas, Vila das Taipas.