Pólo aquático: uma nova época e um plantel reforçado, com olhos no título

Praticamente uma década depois de se ter estreado no principal campeonato nacional de pólo aquático, o Vitória vai, pela primeira vez, encarar uma época com o propósito de se sagrar campeão nacional. Com o dobro do orçamento face ao do ano passado, a equipa garantiu alguns reforços, entre os quais o melhor marcador do último campeonato, Pedro Sousa, e um novo treinador, João Pedro Santos. A primeira fase do campeonato, com 18 jornadas, arranca neste sábado, com o jogo frente ao vice-campeão Povoense, na Senhora da Hora.

Na piscina, sete jogadores de cada equipa, obrigados a manter-se à superfície sem tocarem o fundo durante quatro períodos de 12 minutos, tentam marcar mais golos do que o adversário para conseguirem a vitória; a equipa senior do Vitória, renovada e mais ambiciosa do que nunca, inicia neste sábado mais um campeonato de polo aquático. Criado em 2003, o polo vitoriano estreou-se na Primeira Divisão na época 2008/09 e, ao longo da última década, consolidou o seu estatuto no campeonato, apresentando o quinto lugar como melhor registo, nas épocas 2010/11, 2014/15, 2015/16 e 2017/18.

Mas, na antecâmara da época 2018/19, a fasquia está mais elevada, assume o diretor do polo aquático do Vitória. A equipa, diz António Pedro Magalhães, pretende obter um dos quatro primeiros lugares da primeira fase para chegar ao play-off do título nacional e, aí, “redefinir o objetivo”. “Se der para disputar o título de campeão nacional, lá estaremos para o confirmar”, reconhece.

Para se imiscuir na luta pelo título, o Vitória, acrescentou o seccionista, viu o orçamento subir para o dobro do valor da época passada e garantiu até agora quatro reforços. A mais sonante das contratações é o internacional português Pedro Sousa, melhor marcador na temporada 2017/18, ao serviço do Fluvial Portuense, emblema que se sagrou tricampeão nacional. António Pedro Magalhães confessou que esperava “bem mais difícil” a contratação do atleta de 25 anos, que se mostrou “sempre disponível” para rumar ao Vitória.

A equipa garantiu, até agora, outro reforço junto dos atuais campeões nacionais, Dumitru Sobetchi, e também se reforçou fora de Portugal, com o húngaro Kincses Attila e com o iraniano Ali Farhad. O plantel vitoriano tem, neste momento, 23 elementos e, além da inédita vitória no campeonato, o principal objetivo, também olha para a Taça de Portugal como um troféu a ganhar – a equipa já chegou às meias-finais, em 2008/09 e em 2016/17 . “É um objetivo que temos na cabeça. Agora, não vamos estar a pensar que, no primeiro ano em que temos uma aposta e um projeto diferente dos outros anos, se vá conseguir tudo. Mas a equipa está estruturada para ganhar”, frisou o diretor do polo vitoriano.

 

Um entre quatro favoritos

Para a nova época, o Vitória conta também com um novo treinador. João Pedro Santos, técnico que já conquistou dois títulos de campeão, uma Taça de Portugal e duas Supertaças ao serviço do Salgueiros, emblema que arrecadou 14 dos 15 campeonatos entre 1995 e 2009, substituiu Vítor Macedo no comando da equipa.

Motivado com a aposta do clube, o técnico realçou que o Vitória vai jogar sempre para ganhar, de forma a conseguir a melhor classificação de sempre e, se possível, o título nacional. João Pedro Santos inclui o clube da cidade berço no lote de favoritos à vitória no campeonato, constituído ainda, no seu entender, pelo Fluvial, pelo Paredes e pelo Povoense, equipa vice-campeã que o Vitória defronta neste sábado, às 21:00, nas piscinas de Senhora da Hora, em Matosinhos, para a primeira jornada. Essas três equipas, no entanto, já têm rotinas mais consolidadas do que a formação vitoriana, ainda em construção, disse o treinador, frisando, no entanto, que isso em nada belisca o objetivo do clube. “É o primeiro ano em que estou aqui. Isto ainda vai demorar a dar os seus frutos, mas isto não é como começa, é como acaba. Estamos apostados – atletas, secção e o próprio clube – em sermos campeões nacionais neste ano”, frisou.

Outro dos objetivos inerentes à conquista do título nacional, revelou João Pedro Santos, é a participação numa competição europeia na próxima época, reservada aos dois primeiros classificados – o campeão garante o acesso à fase de qualificação para a Liga dos Campeões, enquanto o segundo classificado tem o direito a participar na Taça LEN (Ligue Européenne de Natation).

 

“Vim para o Vitória por causa dos adeptos que tem”

A aposta num plantel mais forte que possa lutar pelo campeonato nacional não foi a única razão para João Pedro Santos escolher treinar o Vitória. Também o foi a envolvência associativa em torno do clube. “Vim para o Vitória por causa dos adeptos”, confessou. “Estou longe de casa. Vimos seis, sete pessoas do Porto e fazemos todas estas viagens. Chegamos todos os dias a casa, às 00:30. É por o clube ser especial em termos de massa adepta que estamos aqui”.

O ‘timoneiro’ vitoriano para a nova época realçou que é “uma parte sempre essencial da motivação dos atletas” contarem com apoio e pediu que os adeptos sejam o oitavo jogador da equipa.  Mesmo assim, o responsável lembrou que, tendo em conta as visitas realizadas às Piscinas Municipais em épocas anteriores, como adversário, que o Vitória “tem potencial para ter sempre a piscina cheia”.

O diretor do polo vitoriano, António Pedro Magalhães disse que o Vitória costuma ter, nos jogos em casa, uma plateia entre 100 e 200 pessoas num espaço com lotação para 300, um número ainda assim superior ao de todos os outros emblemas do campeonato.

 

Liderar um balneário com 14 anos de Vitória no currículo

Pedro Cunha começou a jogar polo aquático no Vitória com 11 anos e, hoje, com 25 é o vice-capitão da equipa. Para o atleta, o papel de um capitão, elemento responsável por liderar e gerir as emoções de um grupo, é o “mais importante” no seio da equipa. “É ele que tem de gerir o ambiente do balneário, as emoções de cada jogador, e, com as novas contratações, a dificuldade de integração. Depois, tem sempre a palavra final, a entrar na água e a sair”, explicou.

Convicto que o Vitória pode fazer uma “época ainda mais histórica” do que a do ano passado, inclusive com a conquista do título nacional, o atleta sublinhou que os reforços e o novo treinador podem motivar os atletas que já estavam no clube a “jogarem e treinarem melhor”.

 

Formação quer crescer, mas não há espaço

Pedro Cunha é um dos vários jogadores formados no Vitória ao longo dos últimos 15 anos. Os escalões mais jovens do clube têm conseguido chegar longe nos campeonatos nacionais, sagraram-se mesmo campeões, em juvenis, na época 2013/14, e, na temporada passada, conseguiram chegar às fases finais nacionais em todos os escalões. Os plantéis seniores também têm sido construídos essencialmente a partir da formação. “A equipa sénior, nos últimos anos, tem-se mantido a um bom nível no campeonato nacional só com jogadores formados aqui no Vitória, mas queremos melhorar a equipa e conquistar alguns troféus, para depois cativarmos os mais jovens para a modalidade”, disse António Pedro Magalhães

O número de atletas na formação tem, contudo, estagnado entre 60 e 70. A razão é simples: não há mais espaço para as camadas jovens treinarem nas Piscinas Municipais, diz o seccionista. O Vitória tem contado até agora com equipas masculinas de sub-20, de sub-18, de sub-16 e de sub-14. Neste ano, vai ter uma equipa sub-12 masculina e uma equipa mista. Todos os escalões treinam em S. Tiago de Candoso, com excepção do escalão mais novo, obrigado a treinar duas vezes por semana na piscina dos Bombeiros Voluntários, explorada pelo Vitória. “É uma piscina sem as condições mínimas, porque tem uma profundidade que não é a mínima para a prática do pólo aquático”, afirmou o diretor do polo.

O espaço nas piscinas municipais é exíguo, mesmo para a equipa senior que, nem sempre, pelo que diz António Pedro Magalhães, tem todo o espaço da piscina disponível para treinar. A secção, no entanto, quer criar um escalão unicamente feminino na próxima época. Se isso acontecer, afirma o responsável, o Vitória vai ter de arranjar alguma solução, desde treinos aos sábados e aos domingos a treinos noutras piscinas, que não a do Vitória ou a do município.

 

Vitória, plantel 2018/19: João Costa, Pedro Cunha, Pedro Pereira, Nuno Fernandes, André Rocha, Manuel Silva, Ali Farhad, Dumitru Sobetchi, Pedro Sousa, André Pereira, Pedro Silva, José Barbosa, João Serra, Kincses Atila, Miguel Castro, Pedro Rodrigues, Daniel Ribeiro, José Ribeiro, Vasco Abreu, Vítor Matos, Tiago Teixeira, João Filipe Costa, João Camacho.

 

Calendário da 1.ª fase da Divisão A1

1.ª jornada: CN Povoense – Vitória, 27/10/2018

2.ª jornada: Vitória – Aminata, 03/11/2018

3.ª jornada: Académica – Vitória, 17/11/2018

4.ª jornada: Vitória – Paredes, 24/11/2018

5.ª jornada: Pacense – Vitória, 01/12/2018

6.ª jornada: Vitória – Cascais, 08/12/2018

7.ª jornada: Algés e Dafundo – Vitória, 15/12/2018

8.ª jornada: Fluvial – Vitória, 22/12/2018

9.ª jornada: Vitória – Sporting, 29/12/2018

10.ª jornada: Vitória – CN Povoense, 05/01/2019

11.ª jornada: Aminata – Vitória, 26/01/2019

12.ª jornada: Vitória – Académica, 02/02/2019

13.ª jornada: Paredes – Vitória, 09/02/2019

14.ª jornada: Vitória – Pacense, 23/02/2019

15.ª jornada: Cascais – Vitória, 02/03/2019

16.ª jornada: Vitória – Algés e Dafundo, 09/03/2019

17.ª jornada: Vitória – Fluvial, 16/03/2019

18.ª jornada: Sporting – Vitória, 23/03/2019