Dialética Política: Plano e Orçamento 2019 aprovado pela maioria socialista

A reunião de Câmara de 31 de outubro serviu para aprovar – apenas com os votos da maioria socialista o Plano e Orçamento para 2019. O tema deve agora ir a Assembleia Municipal. Em vésperas de mais uma reunião do executivo, que acontece esta quinta-feira, 15, o Dialética Política deixa argumentos da situação e da oposição.

Domingos Bragança, presidente da Câmara

Cerca de três milhões de euros: 105,5 para 108, à volta disso. Estamos a falar numa redução de três milhões do ponto de vista orçamental. A cultivação de uma bandeira erguida bem alta que é a bandeira da sustentabilidade ambiental. Também ter em conta a afirmação de Guimarães no país, na Europa e no mundo, como uma cidade de território cosmopolita, ligado ao conhecimento e à ciência e em especial à cultura e centro histórico classificado que estamos a trabalhar para que seja expandido para toda a zona de couras, que duplica toda a área territorial do atual centro histórico. Tem em conta a coesão territorial o que significa, como sempre, que o concelho de Guimarães é a sua cidade, as suas vilas e as suas freguesias.

Todo o território tem direito ao desenvolvimento em prol da qualidade de vida, do bem-estar, de tudo o que fazemos na cidade, as freguesias também têm direito e é o que temos feito com muita força e intensidade.

Quanto ao tramway começaram por dizer que seria um sonho assim que também seria um sonho a mobilidade elétrica no transporte público de passageiros. Afinal agora – e ainda bem – o transporte público de passageiros já não é um sonho, é uma realidade que quer operadoras, quer a própria Câmara possam promover em completo o transporte, a própria concessão, e o transporte publico se assim criar uma empresa municipal para os território de baixa densidade, que é esse o meu objetivo.

Afinal, já é possível, já não é nada sonhar, já não é o presidente da Câmara que está a sonhar, traçou um horizonte, traçou o futuro que quer mobilidade elétrica a começar pelo transporte público de passageiros. Há coisa de dois, três anos lancei a ideia do tramway, que não é mais do que um metro de superfície, e que hoje a tecnologia também vem dizer que tenho razão.

A tecnologia que está disponível apresenta metros de superfície em que tem o ramal de alimentação elétrica no território mais urbano e nesse território alimenta-se do ramal elétrico, pelo cabo que tem na parte superior e carrega as baterias para que possa fazer o percurso que não tem essa alimentação pelo ramal. Está disponível já em todo o mundo e as cidades estão a lançar essa possibilidade do metro bus/tramway. E também quero, na altura disse, que não queria que fosse uma ligação de Guimarães – Braga, queria que passasse em todas as freguesias, sair de Guimarães, passar por Moreira de Cónegos, Lordelo, fazendo a passagem por Pevidém e Selhos, Fermentões, Ponte, Taipas, ligando a Braga e a Famalicão. Estamos a falar disso e isso é possível.

Já tenho o acordo com os colegas do Quadrilátero, que temos que trabalhar no âmbito do Quadrilátero porque temos que mandar fazer um projeto. Já sinalizamos no programa nacional de investimentos e estamos de acordo em lançar um projeto para estudarmos tudo isto: os recursos, os meios financeiros a alocar, a população que ira servir. Estamos a falar no Quadrilátero que são cerca de um milhão de pessoas que aqui vivem e trabalham, nos fluxos entre cidades.

Se fizermos este trabalho criamos aqui uma área metropolitana no Quadrilátero e fica ligado à área metropolitana do Porto que já tem metro, que está a expandir para as suas periferias que é Santo Tirso, que fica logo aqui ligado a Guimarães e que ficará também ligado a Braga e a sua zona geográfica que liga também a Esposende e enfim, Braga obviamente ligado. Este trabalho é possível mas nós temos que fazer o nosso. Não vamos estar à espera que a área metropolitana do Porto faça o trabalho por nós, não fará, mesmo na área de expansão do metro de superfície do Porto. O próprio modelo do metro de superfície pode ser completamente diferente do adotado pelo Porto e ter em conta as especificidades do nosso território, do Quadrilátero Urbano, nomeadamente Guimarães e Braga. Nós estamos a trabalhar muito bem, entendemo-nos muito bem entre mim e o Ricardo Rio, o colega de Braga e estamos a trabalhar muito bem com esta temática, entendemos que é importante e estamos a atrair os colegas que estarão de acordo, os de Famalicão e Barcelos.

Quero dizer que afinal o sonho comanda mesmo a vida. Quem lidera tem que apresentar um horizonte de esperança e de caminho certo a percorrer. Não pode ficar no imediato com aquilo que é possível, enfim, fazendo contas, dois e dois são quatro. E ficar por aí porque só temos quatro. Não, temos que iniciar um caminho de longo alcance, de longo percurso. É uma maratona e não quer dizer que seja eu ou o colega de Braga que possamos neste segundo mandato ou até num terceiro mandato, nós precisamos é de fazer as coisas de forma a que elas sejam irreversíveis. É este o caminho para fazer e que obviamente afirma Guimarães, que é a minha responsabilidade, e afirma a nossa região nesta zona do Quadrilátero em todo o território nacional.

Também é importante dizer que neste Quadrilátero Urbano temos uma grande vantagem e que tem que ser reconhecida pelo governo, qualquer governo nacional. É que neste Quadrilátero estão três municípios que pertencem aos dez municípios mais exportadores do país. A economia pujante de Guimarães, Braga e Famalicão tem que valer alguma coisa e tem que dar resultados.

Mas temos que fazer o nosso trabalho porque se chegamos ao governo e dissermos “nós queremos isto” não adianta nada. Nós temos que fazer o nosso trabalho e temos que demonstrar de forma objetiva, com estudos, que este caminho está certo e convencer o governo objetivamente que tem que ser feito. Nós já sabemos que fazer uma afirmação quer em sede de Assembleia da República, quer em sede de governo que queremos reivindicar tudo bem. Mas queremo-lo com dados objetivos e sabemos o que estamos a fazer e que as câmaras municipais estão dispostas a intervir na participação nos orçamentos e portanto com participação de fundos europeus e de fundos do governo. É isso que estamos a fazer.

O vereador da oposição dá o exemplo daquilo que nós não realizamos e refere-se ao tramway e à mobilidade elétrica. Mas sempre disse a mobilidade elétrica precisa de um horizonte temporal de ciclo longo. Nós não mudamos os transportes urbanos para elétricos só quando falamos dele. O próprio tramway nem está no programa político: isto é um horizonte de ciclo longo e tem que ser trabalhado com um conjunto de municípios e com o governo e por isso nós não metemos e não depende, a bem dizer, da Câmara. Depende da Câmara de lançar, de afirmar no território, de convencer as outras entidades a investir em Guimarães e neste caso nesta área metropolitana que queremos que seja do Minho.

Agora, do ponto de vista do nosso programa eleitoral, eu quero dizer as obras, o programa eleitoral que está lançado em cerca de 70%, aquilo que está em motor, não há um. Eu olho para o programa eleitoral e não tem – a bem dizer – um item que não esteja lançado para se concretizar. Então, quando me falam da coesão territorial, se há presidente ou mandato, se quiser presidente da Câmara, já desde 2013 que tem investido em todas as freguesias e vilas, com tanta qualidade, tem sido este executivo que eu lidero.

Aí não há dúvida nenhuma e é perguntar aos senhores presidentes de junta. Agora dizer que na área da sustentabilidade ambiental tem se falado muito e não se tem feito, isso é obviamente errado porque o grande pilar da sustentabilidade ambiental é a educação ambiental e hoje mesmo, prova por ironia, hoje tivemos aqui 48 escolas que são eco-escolas já este ano. Foram no ano passado 27 e agora são 48. Temos três agrupamentos escolares que são eco-agrupamentos: não é Guimarães a classificar. É pela sua atividade, pela sua ação, por tudo o que fazem foram considerados por entidades nacionais eco-agrupamentos: foram Arqueólogo Mário Cardozo (Ponte), Virgínia Moura (Moreira de Cónegos) e Prof. João de Meira.

Isto é uma evidência: se há caminho que fizemos é este do caminho da sustentabilidade ambiental que alerta para varias outras questões, nomeadamente das linhas de água. Porquê? Agora por essa forte consciência ambiental – e bem – qualquer perturbação de contaminação em qualquer linha de água é logo alertado pelos cidadãos e pelas entidades porque estão despertas para isso e portanto temos que ter tudo muito bem, a 100%. Daí eu promover reuniões com entidades fiscalizadoras, com entidades que são gestoras dos recursos hídricos, ainda ontem estive em reunião com as Águas de Portugal, a Vimágua, Resinorte, Tratave, SEPNA, APA, ao mais alto nível, e portanto a dizer-lhes que têm que trabalhar em cooperação para que os planos de investimentos e dizem eles: mas nós estamos todos a investir. Mas têm que investir mais e em coordenação para que não haja nenhum incidente. Se há área em que fazemos muito e que é reconhecido por todos os vimaranenses é a área ambiental.

Eu próprio apresento um programa de desenvolvimento sustentável para 2030, quer dizer, várias etapas para o território que queremos que esteja em 2030 porque há muitas áreas que demoram tempo mas estamos a trabalhar para isso. Portanto aquela ideia que prometemos muito e não fazemos nada não é certo. Nós prometemos e o que prometemos fazemos. O que está no nosso programa eleitoral fazemos.

Agora o que o senhor vereador da oposição quis dizer foi que eu avanço com um conjunto de ideias que são ideais que quase são sonhos e depois demoro a concretizar. Claro, o tramway, a mobilidade elétrica total, os próprios percursos e a área da Penha vindo até Guimarães, no sentido de ter um parque da cidade, que se estende desde a cidade à igreja da Senhora do Carmo da Penha. Mas mesmo isso estamos a trabalhar e é de facto de longo percurso de horizonte temporal muito alargado.

Depois quando diz “o Teatro Jordão já começamos há não sei quanto tempo” [referindo-se às declarações do vereador André Coelho Lima]. Pois mas vai começar agora a obra e por que é que atrasou? Porque os concursos que fazemos e na altura em que fizemos, por vários conflitos procedimentais, tiveram que ser extintos e recomeçados. Depois há outra questão que eu não faria o Teatro Jordão sem 70% de apoio comunitário. Uma obra que custará 11 milhões de euros eu não ia fazê-la 100% de fundos do nosso orçamento municipal daí que temos neste momento entre sete e oito milhões de euros já conseguidos dos recursos comunitários que dará um esforço municipal de 30% assim é que está bem. Depois gastamos lá 11 milhões de euros e depois? Não temos dinheiro para fazer em todas as freguesias e outros investimentos. Até conseguir é melhor demorar mais algum tempo e estarmos certos com isso.

Eu dou outro exemplo: eu avancei com o hotel, com o IPCA e queremos fazer a escola-hotel, já compramos o terreno, está a lançar o projeto. Até ter uma escola-hotel, isso demora cinco, seis anos. Até ter tudo pronto demora cinco ou seis anos por muito que queremos. Falamos na via do Avepark, pois a via do Avepark neste momento tem o projeto do desnivelamento, temos o projeto da rotunda de Ponte e avançamos com a aprovação e depois avançamos com a sua execução e que são entidades terceiras que nos têm que disponibilizar porque nós não vamos pagar 100% daquilo. Nós não temos dinheiro para pagar aquilo. Agora já temos o contrato com entidades que anda à volta de 70 a 80 por cento de comparticipação.

Eu quis dar esta explicação para percebermos que do ponto do programa eleitoral nós temos uma execução, em termos de mandato, de 100%. Andará nos 80, 85% substituímos outras por outras. Nós vamos em prioridade muitas vezes quando essa prioridade se apresenta como emergência. Mas eu diria que cumprimos 100%, aproximamos dos 100%. E quando falamos de um orçamento em que cumprimos 80, 85%, nós estamos a cumprir a grande maioria do programa eleitoral. Eu digo mais: quer ver uma questão emergente? O Cavalinho não estava no programa eleitoral de nenhum partido, nem do Partido Socialista. Eu considerei, foi emergente e eu imediatamente disse não: isto é uma questão prioritária, de elevada prioridade e vou intervir. Eu fui ao próprio leilão, as pessoas quando me viram no leilão: um presidente da Câmara ir a um leilão vem porque isto é do interesse de Guimarães. É excecional para Guimarães, é de uma importância decisiva para Guimarães. Porque estava para se fazer e eu não quero que se faça e porque quero fazer de futuro. Portanto é uma questão emergente que suscitou aí.

André Coelho Lima, vereador da Coligação Juntos por Guimarães (PSD Guimarães)

Foram as áreas em que o PS dividiu o Plano e Orçamento portanto sustentabilidade ambiental, aquilo que eles chamam “Guimarães, cidade exemplo na Europa e no mundo” e a coesão territorial, estas três áreas. No essencial, os reparos [são para] passar de um discurso para a prática, passar da aparência para a substância: fazer com que a sustentabilidade ambiental não seja apenas candidaturas a Capital Verde Europeia e seja melhoria de qualidade de vida, em Guimarães, no nosso concelho, no nosso território, e dos nossos cidadãos. Fazer com que a coesão territorial não seja apenas um conjunto de chavões e que se concretiza em medidas políticas concretas e isso de facto não acontece.

[Sobre] a sustentabilidade ambiental falei do rio Ave, verdadeiramente, e apesar do grande esforço que o presidente de Câmara fez aqui de justificação, nós nem temos uma única medida em cinco anos desta presidência, uma única medida concreta de despoluição do rio Ave, a não ser medidas simbólicas e sensibilização da população.

Portanto medidas concretas não há uma e não há sequer uma monitorização dessa despoluição. Se estamos a falar de coisas sérias e de objetivos sérios, nós hoje tínhamos que perguntar a quem há cinco anos tem, de uma forma séria, tem o objetivo da sustentabilidade ambiental o que é que foi feito para a despoluição do rio Ave. O que é que foi feito? Que medida? Uma? Não há uma.

Ou então tem que nos ser respondido: “Não, mas hoje em dia aquele troço está melhor, aquele está pior”. Não sabemos. Nós temos que passar de uma vez por todas dos discursos bonitos e inflamados para a prática e nós não podemos dizer que a sustentabilidade ambiental e que queremos um eco-cidadão e temos o rio Ave poluído e sem projeto de despoluição, a ribeira de Couros e demais rios poluídos e sem projeto de despoluição. Nenhum projeto de utilização da bicicleta como alternativa ao automóvel – isto é muito importante dizer outra vez. O que existe são pistas de cicloturismo. Para aos fins-de-semana ou nos feriados as pessoas pegarem na bicicleta e irem fazer exercício, o que é muito bom.

Da utilização da bicicleta como alternativa ao automóvel, isto é muito importante dizer outra vez, o que existe são ecovias, que são pistas de cicloturismo para ao fim de semana ou nos feriados, amanhã é feriado para as pessoas amanhã poderem pegar na bicicleta irem fazer exercício o que é muito bom para a qualidade de vida das pessoas, mas não é muito bom ou é quase indiferente para o uso da bicicleta como alternativa ao automóvel.

Veja-se isto que é quase, enfim, até, eu chamei atenção para isso quase o ridículo que podemos assistir, é construir-se, se se construir, a via de acesso ao Avepark que tem ciclovia em toda a sua extensão e as pessoas usarem a estrada nacional 101 que é três quilómetros mais rápida, portanto, obviamente quem vai de bicicleta vai pelo mais rápido e não tem, não tem praticamente declive nenhum, é praticamente uma linha reta, isto demonstra que o que se está a fazer é muito mais para, enfim, para inglês ver e muito menos para ter uma intervenção verdadeira e real na nossa qualidade de vida ao nível da sustentabilidade ambiental.

Também falei na poupança energética das famílias, porque se virmos bem, com tanta propaganda da eco-cidadania nós não temos um incentivo, seja ele fiscal, municipal, seja de outra natureza para que haja, como sempre defendi, um concurso entre bairros, entre ruas, entre freguesias, no limite, ou seja, um concurso vamos vermos quem gasta menos energia com idêntica, enfim, fazendo naturalmente as proporções, ou seja, haver medidas políticas concretas para que a poupança energética seja não apenas tenha impacto financeiro, mas, sobretudo, ao nível da sustentabilidade ambiental.

Nós falamos da sustentabilidade ambiental e ler este texto, enfim, propagandístico e não vermos medidas políticas concretas e o desafio é muito simples: uma política concreta, além das brigadas verdes, não há e, portanto, nós temos de começar a falar destes assuntos a sério e não apenas como discurso político.

O segundo objetivo de que designado “Guimarães cidade exemplo de Portugal na Europa e no mundo”, mas que no fundo é o incentivo à cidade universitária, mais uma vez, vamos ao concreto. O que é que Guimarães – Guimarães tem feito uma aproximação grande à Universidade do Minho, reconhecemos isso, tem feito avultados investimentos com benefício para a Universidade do Minho, reconhecemos isso e a monotorização do resultado?

Estão a aumentar o número de alunos em Guimarães em comparação com os de Braga? Estão a aumentar – e aqui não é competição com Braga que nos interessa – o que nos interessa é que desejavelmente a Universidade seja equitativa entre as duas cidades onde ela está assente e de facto não o é, não o é e não tem recuperado, mas nós sabemos isso?

Não sabemos porque foi feita uma pergunta ao presidente de Câmara e não nos foi dado resposta, nós não sabemos como é que estamos ao nível de alunos, não sabemos como é que estamos ao nível de cursos, a perspetiva comparativa, não sabemos como é que estamos ao nível de docentes, não sabemos como é que estamos ao nível de residências, não sabemos quantos alunos a estudar em Guimarães residem efetivamente em Guimarães, nós não sabemos, portanto, nós não podemos dizer que queremos ser uma cidade universitária e dizer apenas.

Temos que começar a perceber quais são os nossos objetivos de atuação política porque senão estamos só a deitar cá para fora objetivos, objetivos, sonhos, sem termos uma atuação política concreta específica, inclusive diz-se aqui “queremos atrair residentes de outros mundos” está aqui, o que é isto “residentes de outros mundos”? Depois a seguir diz: “é a residência que era dos artistas e agora é dos é dos”, como é se chama? “dos investigadores”, isso. Mas é isto que estamos a falar? “os residentes de outros mundos”, quer dizer é isto ou até se esqueceram de pôr aqui a nossa participação [no programa de acolhimento aos] refugiados. Emigrantes, “residentes de outros mundos”, esqueceram-se dos refugiados. Quem fez isto, eu sei quem foi, não foi o Presidente da Câmara esqueceu-se de pôr aqui os refugiados, quer dizer, estão a ver? Isto não é nada, ou seja, é preciso sermos um bocadinho mais sérios nisto, ok?

A política tem a sua propaganda, enfim, faz parte, mas é preciso começar a ser um bocadinho mais concreto se não estamos a brincar com isto. Vejam bem, vamos falar de residentes de outros mundos, Eramus, Câmara de Guimarães zero, intercâmbios culturais, académicos, universitários, de investigação, Câmara de Guimarães zero. Nós o que é que nós queremos com residentes de outros mundos? Se só temos a residência dos investigadores? Até pode ser um fracasso grande se os investigadores forem todos portugueses, não vêm de outros mundos para cá, bom, enfim.

Terceiro objetivo, coesão territorial, este é de facto, esta é a marca mais negativa da Câmara de Guimarães ao longo dos anos, mais negativa, e quem nos esteja a ouvir que não viva na cidade de Guimarães sabe exatamente aquilo que eu estou a dizer e, portanto, nós temos, aqui sim tenho de recorrer da cábula, transportes públicos, dos piores do norte do país, dos piores em termos de preço, dos piores em termos de acessibilidade.

Porque vai-se para Briteiros não há autocarro ao fim de semana para a cidade de Guimarães, para a sua cidade e dos piores em termos de cobertura concelhia, é dos piores e depois, para além do mais de uma Câmara de esquerda, o que temos em Braga, os transportes urbanos são públicos, aqui estão concessionados com custo zero, zero para o município, portanto, não há coisa pior, maior demonstração de fracasso da coesão territorial do que os transportes públicos.

Depois como já disse, sem repetir, os meios alternativos de locomoção ao automóvel, não há investimento, só há para cicloturismo e não para bicicleta como meio alternativo, há uma coisa, que é o Presidente de Câmara tirou uma fotografia com a bicicleta, mas as pessoas poderem ir de bicicleta para o trabalho, peço desculpa, poderem ir de bicicleta para o trabalho não está assegurado de forma nenhuma. É só pegar, eu desafio-vos a irem a muitos sítios, quer empresas quer, enfim, serviços e perguntarem quem vai de bicicleta e porque é que não vai e depois termos as respostas, isso é que é monitorização.

Depois a rede viária, nós temos, de acordo com um estudo que saiu agora, o terceiro pior concelho do país em termos de trânsito, como é que nós podemos falar em coesão territorial se chegamos ao Porto mais depressa do que às Taipas? Ou se chegamos ao Porto mais depressa do que a Moreira de Cónegos? Não podemos e já ouvimos muitos projetos para tudo isto e nada disto está, sequer, ao nível do projeto.

Isto para já está ao nível da palavra e ao nível da palavra a Câmara de Guimarães deve receber todos os prémios e mais alguns, mas passar da palavra para o projeto é um problema muito grande e, por isso mesmo, é que eu cognominei o senhor Presidente de Câmara como “o anunciador”, “Domingos Bragança o anunciador” como ele nos trouxe aqui aquele estudo que dizia, enfim, que tem ascendência de sangue azul, enfim, acho que merece ter um cognome, “Domingos Bragança o anunciador” que caracteriza este plano e orçamento e que, enfim, tirando esta parte mais ligeira, o mais importante é que nos grandes objetivos do município nós estamos nem a 10% do caminho e o 10% que está feito nem sequer monitorizado e isto é que não pode ser.

É um sonho mas é preciso sonhar [sobre o tramway]. Eu costumo dizer, eu digo isto aos meus filhos, quando eu deixar de acreditar em utopias, mais vale morrer. O que eu acho é que é uma coisa irreal no curto, médio e, talvez, longo prazo. Mas, vamos lá, irreal no curto e médio prazo, mas nós temos o dever de nos prepararmos para que possa ser real se amanhã as circunstâncias, designadamente, económicas, se alterarem significativamente e aqui e aqui dizer-vos isto que é muito importante, as propostas que apresentei pela coligação Juntos por Guimarães, as intervenções rodoviárias em todo concelho previam no meio uma faixa para transportes urbanos, obviamente que não é para autocarros, porque aquilo tem, se só passa um, não é?

Se não permite cruzamento, tem que ser para o que vier a ser possível e projetar é passar dos papéis para as ideias, ou seja, é dizer-se assim: “nós temos que fazer as intervenções rodoviárias no futuro preparando sempre caminho para um dia se poder haver, metro de superfície nós já estamos preparados, se houver nós já estamos preparados”, é assim que se programa o futuro, como disse o senhor Presidente de Câmara e bem: “quem vier daqui a 20 anos ou 30 as intervenções que nós vamos fazer hoje, não prejudicam isso”, estão a ver?

Isto, nós temos o dever de preparar todas as intervenções rodoviárias, sobretudo, as ligações canal e as que nós propusemos foi Taipas sul, portanto, Moreira de Cónegos, sobretudo Moreira de Cónegos passando, obviamente, por Vizela, São Torcato e Pevidém, estas estarem já preparadas para isso. Vamos ter algum dia metro? Já estamos preparados. Não vamos ter, não perdemos nada a não ser uma faixa de terreno, esta é a primeira nota que é importante e a segunda é de facto a do metro do Porto.

Se Santo Tirso está a pedir a extensão do metro do Porto até Santo Tirso, sabemos que Santo Tirso faz fronteira com o concelho de Guimarães, é um dos cinco concelhos que faz fronteira com o concelho de Guimarães e, portanto, é óbvio que o Quadrilátero Urbano em vez de pensar em fazer um sistema que seja completamente costas voltadas para o metro que está aqui a meia dúzia de metros, se vier a existir metro na nossa região e faz sentido do ponto de vista populacional, esta é a terceira região mais populosa do país a seguir às áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto é esta e, portanto, o que faz sentido é que ligue à rede do metro do Porto, pouco importa se fazemos parte da área metropolitana do Porto ou não.

Isso logo se vê, isso são detalhes, o que interessa é nós percebermos exatamente aquilo que queremos e para sabermos aquilo que queremos, para que o sonho tenha um bocadinho de realidade e nós possamos acordar do sonho e dizer: “bem há algo que possa fazer”, nós temos de ter os pés bem assentes no chão, os pés bem assentes no chão é: primeiro, as intervenções que nós fizermos têm de já estar previstas para esse futuro, eventual e incerto e segundo, temos que ter um rumo e um rumo não é claramente discutir metro, superfície ou tramway, é o que seja no âmbito do Quadrilátero.

O futuro é o Quadrilátero juntar-se e bater à porta da área metropolitana do Porto e dizer: “vamos projetar o futuro desenvolvimento do metro do Porto para esta zona norte e não para outro sítio qualquer” isto é que é fazer, transformar o sonho em possibilidade.

E é disso que estamos a falar, aliás, os metros existentes no nosso país, Lisboa e Porto, não são suportados pelas respetivas autarquias, não é? Portanto, é exatamente a mesma coisa.

Não sei exigir eu acho que os autarcas do Quadrilátero devem claramente juntar-se e dizer assim: “a próxima zona do país, quando houver condições financeiras para isso, para se poder programar uma extensão da linha de metro é claramente a região do Cávado e do Ave, é claramente porque é a região mais densamente povoada e é a região mais importante do ponto de vista industrial”. Basta, eu comparo sempre com uma região na Alemanha que é uma região que tem um conjunto de cidades muito próximo umas das outras, que é também a região mais importante em termos industriais onde, donde vem a indústria do ferro que foi fundamental na Segunda Guerra, mas tem, tem Dortmund, todas elas juntas umas às outras que se complementam e têm, candidatam-se a projetos desta natureza.

O Quadrilátero é um bom projeto e que talvez tenha aqui um excelente objetivo, muito para lá do simbólico e que não vale a pena tentar fazer um por si próprio, vale a pena sim, discutir com o governo, com a União Europeia, no sentido, enfim, de nos prepararmos para que o sonho possa vir a ser uma realidade, não é uma cosia tão irreal quanto isso, o que é preciso que sejam feitas coisas com os pés assentes no chão.

Em contexto de reunião de Câmara, o órgão que governa dos destinos do município, os temas são quase sempre debatidos a duas caras. Este exercício de dialética política serve para conhecer os argumentos que suportam as aprovações, abstenções ou chumbos que, de quinze em quinze dias, vão marcando a cidade. O seu a seu dono: discursos transcritos na primeira pessoa.
Este trabalho conta com o apoio da:

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