Vamos embora, Afonso

À quarta-feira, Elisabete Pereira Rodrigues

Mais fotos sobre a autora: http://olhares.sapo.pt/montanhaagreste/

pebc

Por motivos de despejo, pelo novo Senhorio, Gaspar Carreira, o meu escultor preferido e, amigo, de longa data, deixa a Rua de Donães, no Centro Histórico de Guimarães, Património Cultural da Humanidade, classificado pela UNESCO, sem novo local para trabalhar a sua arte e a sua criatividade através do ferro!

 

“Gaspar Carreira: mestre ferreiro vimaranense”

Tem mostrado o produto de um trabalho aprendido com o avô e o pai, quando Gaspar tinha apenas 10 anos. A tradição de trabalhar o ferro é tão vincada entre a família de Gaspar Carreira, que os magníficos portões de ferro que se encontram no Museu de Alberto Sampaio já foram produzidos pelo seu avô na vetusta oficina da Rua de Donães, em pleno centro histórico de Guimarães. Hoje, para além de continuar a produzir o que aprendeu com seu pai e avô, incluindo candeeiros, camas e grades de fogão, Gaspar Pinto Carreira resolveu abalançar-se a outros voos e das suas mãos e da sua imaginação saem agora esculturas em ferro representando alguns dos vultos mais significativos da História vimaranense e nacional – da obra sacra aos vultos da literatura, entre outros: N.ª Sr.ª da Oliveira, Mumadona, D. Afonso Henriques, D. João I, D. Manuel, de Fernando Pessoa a Saramago e muitos outros que nos ensinaram a admirar. Guimarães tem, aliás, uma grande tradição ao nível do trabalhar do ferro que data do século X, nomeadamente no mosteiro mandado fazer pela Condessa Mumadona. As primeiras referências a ferreiros e ferrarias datam do século XII, época em que o mosteiro dúplice se transforma em Colegiada, sempre sobre a protecção de Santa Maria. Os nomes de ferreiros perpassam, aliás, os documentos históricos que o tempo quis preservar na memória dos homens e as obras podem ser observadas nas estreitas ruas vimaranenses ou na Igreja de Nossa Senhora da Oliveira. Hoje, na urbe que é Património da Humanidade, apenas subsiste a oficina de Gaspar Carreira, que já era a de seu avô, mestre e padrinho de quem herdou a profissão e o nome.”

(Extrato da peça recolhido pela fotógrafa em https://www.cmjornal.pt/cultura/detalhe/a-tradicao-do-ferro)