ATÉ QUANDO?

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O debate político local nas últimas semanas tem sido marcado pelas promessas por cumprir. Obras públicas prometidas em períodos eleitorais e que depois tardam em ser concretizadas.

Numa intervenção assertiva e muito objetiva, o vereador e Presidente do PSD-Guimarães, Bruno Fernandes, questionou diretamente o Presidente de Câmara acerca de algumas das intervenções que têm sido prometidas à população, mas que tardam em sair do papel.

Intervenção que claramente causou mossa nas hostes socialistas, de tal modo que o Presidente do PS-Guimarães logo correu em defesa do seu autarca, num escrito partilhado nesta mesma gazeta, no qual, resumidamente, acusava o PSD de nada fazer com vista à conclusão dessas mesmas obras… (como não consigo colocar aqui emojis, imaginem aqui o emoji pensativo) 

Até quando é, por isso, a pergunta do momento em Guimarães.

É a pergunta que muitos vimaranenses deverão fazer face ao que lhes foi prometido, em cada freguesia, e que tarda em ser cumprido.

É a pergunta que os agentes políticos que têm que fazer na medida em que muitas dessas promessas são decisivas para os resultados eleitorais que atribuem vitórias ao PS.

É a pergunta que deve fazer o cidadão que, naturalmente, tem a expectativa que aquilo que lhe dizem que vai acontecer, aconteça mesmo.

Esta questão colocou-se recentemente a propósito do desnivelamento da rotunda da autoestrada, em Silvares. Aquele problema existe desde 2003. Sempre com o mesmo partido no poder em Guimarães. Mas assumiu maior dimensão no período eleitoral das últimas Eleições Autárquicas.

Nessa altura, perante uma proposta apresentada pela Coligação Juntos por Guimarães de que resolveria em 12 meses o que não havia sido resolvido em 12 anos.

O PS respondeu com um outro cartaz dizendo que o “Projeto estava em execução”

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Se o projeto estava em execução em junho de 2017, há quase dois anos, até quando demorará para estar executado?

E a questão aqui, como está bom de ver, não se prende com a normal delonga de execução de obras. Prende-se com falar verdade às pessoas. Se em junho de 2017 o projeto estava em execução, hoje já tinha que estar executado, certo? Qualquer pessoa compreende isto.

Portanto, do que se trata, não é de censurar a Câmara por demorar muito a resolver o problema. Trata-se de censurar a Câmara por não ter tido uma postura correta naquilo que transmitiu às pessoas. E, já agora, por beneficiar eleitoralmente com isso mesmo.

É por isso legítimo que se pergunte: até quando vamos aguardar pela conclusão do projeto de desnivelamento da autoestrada? Que, há dois anos atrás, já estava com projeto em execução?

E se seguirmos nesta senda no accountability municipal, o enredo não se circunscreve a esta obra. Sem o mínimo cuidado de ser exaustivo (só colocando aqueles que me veem à cabeça no momento), poderei dizer:

  • Em 2014, no início do mandato anterior, foi prometida a construção da chamada “Via de Acesso ao Avepark” (já agora, um dos maiores erros urbanísticos que se cometerão em Guimarães) ligando a EN 101 diretamente ao Avepark.

Até quando deveremos aguardar pela sua conclusão?

 

  • Pelo menos há seis anos que sucessivas Câmaras e sucessivos governantes têm prometido a reabilitação dos postos da GNR em Lordelo e nas Taipas.

Até quando é razoável que as populações esperem por que a obra comece?

 

  • Em 2015 foi prometido em Pevidém a conclusão de centro cívico daquela vila com recuperação de um edifício de arte nova ali existente, num projeto que correspondia na íntegra ao que tive ocasião de ali apresentar em 2013.

Até quando é razoável esperar que se concretize essa promessa?

  • Em 2017, em plena campanha eleitoral, Domingos Bragança prometeu um pavilhão desportivo para as modalidades do Vitória e, mais tarde, a construção da Academia para o clube

Até quando é razoável que os vitorianos aguardem por que esses compromissos passem para o papel?

  • Já neste mandato, Domingos Bragança compromete-se com o fechamento da circular urbana e a requalificação das estradas nacionais 101 (Taipas) e 105 (Moreira/Lordelo) dessa forma intervindo em duas das vias mais congestionadas da circulação intra-concelhia

Até quando deveremos esperar que isso se torne uma realidade?

  • Em 2015, na sequência de uma descarga poluente no rio Ave, Domingos Bragança comprometeu-se solenemente com dar início a uma despoluição exemplar do principal rio do nosso concelho. Pelo caminho já caiu a candidatura a Capital Verde Europeia que tinha a despoluição dos rios como um dos pressupostos

Até quando é razoável esperar que pelo menos se iniciem alguns procedimentos com vista ao cumprimento desse tão importante objetivo?

O rosário podia continuar mas o bottom line é: quando vamos passar das palavras aos atos?

E até quando vão os vimaranenses continuar a deixar-se prender por sonhos e expectativas, desligando-se de aferir o seu cumprimento em tempo útil?

Não questiono a seriedade com que algumas dessas promessas têm sido feitas. Não questiono que o Presidente de Câmara tenha sinceramente em vista a sua realização, apesar de poder ser utópica. Convém é que não nos esqueçamos que, apesar de o PS estar no poder em Guimarães há quase tanto tempo quanto esteve Salazar à frente do País, existe limitação de mandatos, sendo que, é suposto que aquilo com que se compromete seja possível de executar no lapso temporal correspondente à sua expectativa de liderança.

Além disso, se fizermos esse accountability na vertente financeira, vamos facilmente verificar que os diferentes compromissos assumidos em diferentes momentos e em todas as freguesias do concelho ultrapassam largamente a capacidade orçamental do Município de Guimarães para bem mais do que um mandato!

Já sabemos que se tem que tomar opções, mas essas opções tomam-se no momento de dar sonhos às pessoas. Sob pena de a atuação política ser cada vez menos vista como uma atividade séria do ponto de vista das intenções, mas apenas como uma gestão das expectativas das pessoas.

Até quando vão as pessoas deixar-se enredar nisto?

É que é muito fácil prometer tudo em todo o lado. Mas é importante que as pessoas depois verifiquem do efetivo cumprimento do que lhes é dito. Porque ninguém é obrigado a prometer tudo e mais alguma coisa. Mas fazendo-o, isso tem que corresponder a uma intenção de atuação com o mínimo de adesão à realidade.

André Coelho Lima é advogado e vereador do PSD eleito pela Coligação Juntos por Guimarães. Integra a comissão política nacional do PSD.