Movimento Poético #11

ReinoDiverssao_duascaras
Por César Elias

Amor-máquina

Reinventaram o amor
E gravaram-no em toda esta maquinaria
Pois assim se sabe amar à margem do tempo
Amor-máquina
Objecto
Jamais obsoleto
E a outrora graça de uma carta que se escrevia
É pelo melhor uma tão inútil fotografia
Não um retracto
Que desses já não há arte que os valha

Se pudessem honrar amor como se honra arte
Estandarte digno e indelével da humanidade
Nunca se jorraria sangue de verdade
Mas sim um de outra galhardia.
Se dissesse um retracto palavras de revolta
Se pincéis tingissem de sangue as paredes da paz
Se as tingissem de amarelo ou de lilás
Se o retracto fosse lição
De facto
A fazer entender quem nunca viu
Quem nunca quer ver
O que realmente se entende por amor e arte
Tão certo com se agrega amor e morte
Explodiriam cordas de vinil na areia inexplorada.
Explodiriam em sete notas,
Íngremes
Possantes
Sete tons de arco-íris
Fazendo dançar os tentáculos das palmeiras.

O mar, esse
Mudaria a cantiga
Roubaria a areia manchada
Colorida
E vivo como nunca
Pobre mar velho
Castigado
Maltratado
Galgaria as suas próprias ondas
Riscaria a sua própria rota
Para um dia mostrar ao mundo e à Terra
Que existe amor e que existe arte
Suaria para que todos vejam
Para que todos sintam
Para que todos aspirem
Para que todos amem como amam os céus

*rubrica cujo título é inspirado em António Gedeão

Foto: Elisabete Pereira Rodrigues