Mulher

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O Dia Internacional da Mulher comemora-se na próxima sexta-feira, dia 8 de Março, o Governo decretou o dia 7 de Março como um dia de luto nacional e no dia 9 de Março todas as mulheres estão convocadas a participar na manifestação organizada pelo MDM (Movimento Democrático das Mulheres) que se realizará em Lisboa.

É mais um dia de reflexão, de debate, de consciencialização e de luta. É um dia de jantares, de flores, de chocolates e de valorização da mulher nas redes sociais para que possamos relembrar que as mulheres têm direitos e deveres.

A igualdade ainda não foi atingida, nem no acesso à educação, nem no acesso ao desporto profissional, nem no acesso a todas as carreiras profissionais, nem no acesso a cargos de chefia. O salário igual para trabalho igual está longe de ser atingido. As mulheres na política sofrem em 2019 com uma estrutura muito pensada e dirigida aos homens. As carreiras profissionais começam a dar os primeiros passos na conjugação com a criação de uma família.

Existe ainda muito caminho a percorrer, existem muitas barreiras para serem ultrapassadas, quer seja, ao nível profissional, social ou pessoal. Os próximos dias são de luta, de conversas, de união, de esclarecimento e de unidos, mulheres e homens, poderem apoiar todas aquelas mulheres que não podem participar nem levar os documentos para casa com o apelo às manifestações de mulheres, com textos que incentivem à libertação quer seja de preconceitos, de exploração laboral ou de subordinação aos companheiros.

Estas mulheres, aquelas a quem o salário não chega para se alimentarem, para comprarem material escolar para os filhos, para irem a uma consulta no dentista ou para comprarem o passe dos transportes públicos. Às mulheres que são vistas como não merecedoras do género com que nasceram porque escolhem não serem mães e que se vêem julgadas. Às que não querem casar e por isso são olhadas de lado porque devem ter algum problema e ninguém as quer. Às que optam pela vida do estudo, da carreira, da realização profissional e são criticadas por não serem boas donas de casa e dedicadas à família. Às que optam por ficar em casa a cuidar dos filhos, no acompanhamento escolar, desportivo e na construção de afectos e por esta escolha vêm-se confrontadas com a crítica. Às mulheres que sofrem com a pressão de terem que ser cuidadoras, de terem que desistir de si mesmas porque as estruturas da responsabilidade do Estado não dão as respostas adequadas.

A todas as mulheres é necessário dizer que os seus direitos e deveres são os mesmos, o género não é nem deve ser visto como um factor de discriminação, de subordinação, de desvalorização.

Nos 365 dias do ano é necessário lutar para que mulheres e homens possam viver em pleno os seus direitos e deveres. A todos os que questionam se o Dia Internacional da Mulher faz sentido podemos sempre relembrá-los das dificuldades que muitas mulheres passam no seu dia-a-dia.

No dia 9 de Março vamos todos para a rua, para que juntos possamos gritar bem alto que não deixaremos de lutar contra a precariedade, os salários baixos, a exploração, a exclusão, a discriminação, a humilhação, o trabalho sem direitos e contra a violência.

Mariana Silva, 36 anos, licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos, na Universidade do Minho. É eleita na Assembleia Municipal de Guimarães desde 2009, eleita na Assembleia da União de Freguesias Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião desde 2013 e membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”.
Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.