SEGREGAÇÃO MODERNA: A VERDADE QUE OS RANKINGS DE ESCOLAS TEIMAM EM ESCONDER

É preciso olhar o problema de frente: Os rankings são um crime.

É claro que os adeptos desta segregação apressar-se-ão a dizer que só não liga aos rankings quem nunca por eles foi bafejado. É um clássico.

Portanto, as crianças e os jovens são colocados num circo (e círculo) competitivo que nunca pediram. E têm de o aceitar, em nome da competitividade que uns senhores “altamente qualificados”, que “estudaram muito” (outro sinónimo para “debitaram”), defendem.

Em doze anos, não importam a ética, o raciocínio e espírito críticos, não importam a leitura nem a cultura no geral, não importam a criatividade, a imaginação, a empatia, a interacção social e o respeito pela natureza e pelo próximo, entre muitas outras capacidades. Não. O importante é ultrapassar o outro. E ultrapassar o outro implica, em dados dias, a determinadas horas, escolhidos e marcados para tal, conseguir excretar informação decorada para folhas com perguntas, geralmente, fechadas. Para coroar tudo isto, ainda chamam “inteligência” e “qualificação” a esta habilidade (a da memorização compulsiva). E grande parte dos paizinhos e das mãezinhas acredita nisto.

Depois, temos alguns directores das escolas a “eliminarem”, quais possíveis focos de ignorância, os alunos que eles calculam que não se sairão bem nos exames. Como? Convidando os pais e as mães a mudá-los para uma escola que consideram inferior, ou então empurrando-os, no final dos 7° ou 8° anos, para os cursos EFA. O mesmo acontece no final do 9°, com o estreitamento rumo à mal-amada via dos profissionais, tão maltratada em Portugal.

É uma vergonha, um atraso civilizacional, uma porcaria sem escrúpulos.

As palavras de Maria Montessori fazem todo o sentido, mas muito poucos conseguiram ver para lá do imediatismo das mesmas:

“Toda a gente fala de paz, mas ninguém educa para a paz. Educa-se para a competição, e esse é o principio de qualquer guerra. Quando educarmos para a cooperação e solidariedade, nesse dia, estaremos a educar para a paz.”

#nãoaorankingdepessoas

Paulo César Gonçalves, Dramaturgo

NOTA: Por expressa decisão do autor, este texto não obedece às normas do novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.