Reserva de Valor, por João Pedro Pinto

Provavelmente vai identificar-se com o seguinte: em algum momento da sua vida já viveu o dilema se deveria comprar habitação própria ou alugar, quais os prós e os contras, se está a comprar casa num momento em que se pratica o valor justo ou se pelo contrário, o mercado está entusiasmado e os preços estão possivelmente acima do valor justo (o que também é válido para o arrendamento) qual a solução que acarreta maiores encargos futuros (condomínios, despesas de manutenção, IMI, etc) e o que garante melhores benefícios fiscais em sede de IRS (a renda é, os juros em compras posteriores a 2011 já não), entre outros fatores.

A verdade é que Portugal é um País onde o mercado de arrendamento é muito pouco dinâmico e para isso contribuem sobretudo dois fatores: o fator cultural, é quase um dado adquirido e desde cedo nos convencem que o melhor é comprar casa (embora ninguém nos ensina a fazer as contas para comparar os cenários) e o baixo nível de investimento imobiliário no mercado de arrendamento.

Senão vejamos: segundo dados do Eurostat, em Portugal há cada vez mais proprietários em vez de inquilinos, isto é, 75% das famílias habita em casa própria, ao passo que em países como a Alemanha (52,5%), a Dinamarca (63,3%) ou o Reino unido (64,8%) o número de famílias a habitar em casa própria atinge valores significativamente inferiores. Seguramente que não será por uma questão de poder de compra.

O que pode mudar este cenário? A alteração cultural (tenho sérias dúvidas) ou estimulando o mercado de arrendamento. De que forma? À semelhança do que acontece noutros Países, dinamizando veículo de promoção do investimento.

É aí que surgem as SIGI – Sociedades de Investimento e Gestão Imobiliária, regulamentadas desde fevereiro em Portugal, ideia importada de outros países, vulgarmente denominada de REIT (Real Estate Investment Trusts) e que permitem a fundos de promoção imobiliária financiar-se através de pequenos investidores (em bolsa) e desse modo impulsionar o desenvolvimento de negócios imobiliários, sendo que a expectativa do legislador é de agilizar o mercado de arrendamento. Será na prática eficaz? Veremos…

NOTA: a propósito da melhor solução no dilema comprar vs arrendar e dentro das várias teorias sobre o assunto, a que mais gosto é a que defende que deve comprar sempre que a renda anual é superior a 4% do custo do imóvel.

João Pedro Pinto (https://www.linkedin.com/in/joaopinto1/), 32 anos, é licenciado em Ciências Económicas e Empresariais.