Autodidatismo

Desta vez homenageio alguns dos maiores autodidatas portugueses (e alguns “estrangeiros”) que muito contribuíram para o engrandecimento da literatura e cultura portuguesa, tais como: Alexandre Herculano; José Fontana; Oliveira Martins; José de Brito; Emídio Santana; Alexandre O’Neil; Ferreira de Castro; José Saramago – e tantos outros… Nenhum deles frequentou o ensino superior.

Alguns até com pouca escolaridade, José de Brito nunca andou na escola, emigrou para a Argentina com sete anos, foi jornalista e editor; Ferreira de Castro andou na escola primária três anos, emigrou para o Brasil com 12 anos. A obra literária que nos deixou foi traduzida em sete línguas.

Oliveira Martins, autodidata em várias áreas da literatura, bem como em economia, engenharia de estruturas ferroviárias, etc. Opinião unânime de historiadores espanhóis: “ele foi o maior historiador da Península Ibérica!” – “História da Civilização Ibérica” – foi a obra que surpreendeu os historiadores espanhóis! Os livros em Portugal, não tinham saída, talvez por ele não ter o curso de história, nem de nada. Os espanhóis, quando souberam que ele tinha feito um trabalho de investigação sobre as civilizações antigas da península, vieram conhecer a obra e acharam-na de tal forma rica em conteúdo que levaram tudo o que havia para levar. (Todavia, Oliveira Martins tinha vários “cursos” – construídos pela sua própria cabeça!)

O amorfismo literário, sempre pairou na literatura portuguesa; e poucos foram os escritores que salvaram a honra da velha nação lusitana. Na minha opinião, há muita quantidade e pouca qualidade! Não ler livros de qualidade equivale a quem não lê nada!
Alguns dos maiores escritores autodidatas foram muito invejados por alguns dos encanudados medíocres, sem ideias e sem obra. O caso mais flagrante foi o de Saramago, onde o ministro Sousa Lara, do governo de Cavaco Silva, recusou-lhe a candidatura a Nobel da literatura. Só pôde concorrer anos mais tarde, no governo PS e, felizmente, ganhou o Nobel em 1998. Saramago desgostoso com o cavaquismo, saiu de Portugal para viver nas Canárias.

Os autodidatas mais famosos deste planeta foram, sem dúvida: Ibn Tu Fyl, filósofo árabe; Luís Gama, advogado e ex-escravo. Tornou-se mais tarde num militante ativo, pela abolição da escravatura; Leonardo da Vinci e Einstein – estes dois últimos, a humanidade vai ter que os “aguentar” até ao desaparecimento da própria espécie. Os autodidatas, na sua autoaprendizagem, não deram nem dão despesas à sociedade, que a enriquece, com o talento das suas obras. Serem invejados, em vez de elogiados, só poderá partir de gente de mente estreita e atrofiada.

António Alvão, Reformado e militante da luta não abandonada.