PBSR: Partido do Bom senso, da Seriedade e do Respeito

É difícil viver em Liberdade. A Liberdade, sendo porventura fluída ideológica, social e culturalmente, exige, genericamente, responsabilidade, bom senso e respeito pelas diferenças. Numa Democracia há limites definidos pelas leis que, idealmente, devem emanar da capacidade empática humana, serem justas, prudentes, inclusivas e refletirem uma preocupação com o estabelecimento e manutenção de um bem-estar comum. O excesso de Liberdade pode ser anárquico e a sua escassez déspota. Deste modo, é de elementar necessidade um equilíbrio que possibilite uma Liberdade salutar cujo pilar fundamental seja o respeito pelas diferenças.

Compreende-se que determinadas minorias, algumas ostracizadas secularmente, estejam ávidas de justiça e igualdade. Porém, sendo inquestionável a premência da generalização indiscriminada de várias das suas justas reivindicações, é importante não esquecer que a edificação das mesmas deve respeitar sempre a liberdade individual e não redundar numa imposição de uma forma única de estar e viver. Como é sabido pelo ditado, “a liberdade de um termina onde se inicia a liberdade do outro”. As inúmeras discussões acerca da melhor ideologia política ou do dogma socioeconómico mais ajustado, por um lado, não passam frequentemente de teorizações inertes e, por outro lado, estão muitas vezes poluídas por agendas esconsas, por uma avidez de reconhecimento público pelos egos inflamados que as proferem e/ou por guerras comerciais.

Assim, não são debates esclarecedores, nem produzem, em termos práticos, nada de relevante. Porém, as mudanças necessárias para a generalização de direitos fundamentais e para o respeito pelas diferenças (étnicas, religiosas, ideológicas, sociais, sexuais, etc) têm de discorrer da ideologia mais elementar de todas: educação (precoce e contínua) e governação assentes no bom senso, na seriedade e no respeito pela liberdade alheia. Só assim se acalentará a esperança de prevenir e/ou dissipar vários males, tais como, intolerância, guerras, doenças, destruição ambiental e outros tantos. Por vezes a arrogância do Homem é tão extraordinariamente macabra que, citando o tão badalado assunto das alterações climáticas como exemplo, repetidamente ele se coloca num pedestal Messiânico pregando aos quatro ventos que tem que salvar o Mundo.

O planeta não precisa de ser salvo. Continuará por cá, muito provavelmente renovando-se após hecatombes sucessivas, como o tem feito em biliões de anos de existência. O jovem Homem inteligente (com cerca de 12 mil anos de idade), como hoje o conhecemos, continuando a propagar-se como um vírus, “sobrepopulando” a própria casa e esgotando os seus recursos, é que poderá incorrer no risco de extinção. Passados milhares de anos de tanta evolução intelectual, sendo soberano na decisão de como viver, o Homem resiste a estabelecer o Bom senso, a Seriedade e o Respeito pela liberdade alheia como esteios de um bem-estar global. Estranha espécie…
E derivarmos todos (cidadãos, partidos políticos, órgãos de soberania e organizações em geral) do PBSR?.

Luís Fonseca, nascido em 1978, é Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e especialista em Psiquiatria. Exerce a sua actividade profissional em funções públicas no Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital da Senhora da Oliveira em Guimarães. Imbuído de uma veia artística ecléctica desde tenra idade, tem-se dedicado à escrita e à música, tendo já editado vários trabalhos nestas áreas (PáginaWebLuísFonseca).