Dialética Política: A requalificação do adarve da Muralha e o pai da ideia

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Os trabalhos para a execução do percurso pedonal no adarve da Muralha, em Guimarães, iniciaram no passado dia 28 de maio, estimando-se que a obra fique concluída ainda este ano. Vai custar cerca de 445 mil euros e contempla o desenho de passadiço em módulos e duas caixas de escadas localizadas nas extremidades, reforçando a sua funcionalidade e incrementando uma linguagem atual e apelativa a ser visitada. Trata-se de uma proposta há muito defendida pelo engenheiro Miguel Bastos e o vereador André Coelho Lima (PSD) entendeu, em reunião de Câmara, chamar a atenção para a “paternidade” da ideia.

André Coelho Lima, vereador da Coligação Juntos por Guimarães

A expressão pai da ideia é correta. Quando falamos em paternidades em política abordamos sempre de uma perspetiva político-partidária e quando há paternidades das ideias, das iniciativas e depois das obras elas devem ser atribuídas a quem de direito porque é uma questão de justiça, seja a um partido, figura política ou cidadão. Neste caso é um bom exemplo que é uma iniciativa de um cidadão, defendeu-a, batalhou-a, apresentou-a duas vezes ao orçamento participativo, publicou um livro. Enfim, teve varias iniciativas sobre esta matéria. A Câmara colheu e conseguiu realizar e é muito importante para o esclarecimento da sociedade e da comunidade e sobretudo para o elogio da participação cidadã – é fundamentalmente isto – é a mensagem que queria passar.

Mais do que o elogio concreto ao engenheiro Miguel Bastos é dizer às pessoas todas que têm esta possibilidade de participação. Que vale a pena lutar por determinadas coisas por pequenas ou grandes que sejam que às tantas até conseguem.

O município fez o seu papel e tendo-o feito, acolheu, porque os municípios tem os meios que os vimaranenses lhe confiam, acolhendo esta sugestão e fez muito bem. Mas é preciso pôr os créditos em quem eles são merecidos.

Adelina Paula Pinto, presidente em exercício

Eu não acho que de cada vez que falamos no adarve, de cada vez que haja um procedimento em relação ao adarve que nós tenhamos que contar a história do adarve.

A história do adarve aparece efetivamente pelo engenheiro Miguel Bastos, efetivamente ela foi falada e apareceu em termos de orçamento participativo. O senhor presidente já publicamente reconheceu que foi uma primeira ideia do engenheiro Miguel Bastos, e agora estamos a trabalhar e ele tem que se sentir honrado e acredito que sim.

Porque uma ideia que é dele e que neste momento a Câmara está a dar corpo a essa ideia. Não é por estar a lançar um concurso que nós tenhamos que fazer isso, apesar de reconhecermos a ideia e a participação ativa do engenheiro Miguel Bastos que ele tem contribuído com ideias. Umas que nós concordamos e aproveitamos, outras que nós não concordamos e não aproveitamos. Não há aqui nenhum descredibilizar nem nenhum assumir paternidade da nossa parte.

Em contexto de reunião de Câmara, o órgão que governa dos destinos do município, os temas são quase sempre debatidos a duas caras. Este exercício de dialética política serve para conhecer os argumentos que suportam as aprovações, abstenções ou chumbos que, de quinze em quinze dias, vão marcando a cidade. O seu a seu dono: discursos transcritos na primeira pessoa.
Este trabalho conta com o apoio da:

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