Dialética Política: À segunda foi de vez e apoio à Taipas Turitermas foi aprovado

Voltou à reunião de Câmara – e desta vez foi aprovada – a proposta de apoio à Taipas Turitermas. Os argumentos mantiveram-se os mesmos, com Domingos Bragança a assumir que “a Taipas Termal realizou um investimento”, que, a seu ver, “não devia ter sido realizado pela Taipas Termal, que foi o rinque desportivo”. “O rinque desportivo custou cerca de um milhão e 600 mil euros, e não é propriamente um atributo, uma responsabilidade da Taipas Termal, deveria ter sido realizado pela Câmara Municipal”, enfatizou o presidente.

Domingos Bragança, presidente da Câmara

A Taipas Termal, a Turitermas, está a desenvolver um bom trabalho, e quando colocam a questão da entrega ou a confiança na gestão privada, eu tenho de dizer que a gestão privada já outrora tinha sido entregue à Taipas Termal, e por desleixo e abandono, as entidades públicas, nomeadamente a Câmara Municipal da altura, teve de tomar conta da estância termal. Eu tenho tanta confiança no setor privado, como tenho nas entidades públicas. O setor privado tem entidades e gestores de excelência e o setor público também tem gestores de excelência, entidades de excelência, e também quer num setor quer noutro são mal sucedidos. Tenho maus exemplos, infelizmente, que não deveriam acontecer, mas tenho.

Não está aqui a confiança num setor ou noutro. Agora, a Taipas Termal realizou um investimento que a meu ver não devia ter sido realizado pela Taipas Termal, que foi o rinque desportivo. O rinque desportivo custou cerca de um milhão e 600 mil euros, e não é propriamente um atributo, uma responsabilidade da Taipas Termal, deveria ter sido realizado pela Câmara Municipal… Não foi mau investimento, ele devia ter sido feito é com todo o apoio ou até pela iniciativa, embora tendo em conta a concessão ou entrega deste espaço à Taipas Termal, deveria ter sido assumido pela Câmara Municipal, porque o rinque desportivo é um rinque para a comunidade, para toda… com esta natureza de abertura total à comunidade.

E se tirarmos um milhão e 600 mil euros desse valor, a Taipas Termal, até porque está numa área de atividade que hoje é muito interessante, a área da saúde, do lazer e dos produtos termais, conexos aos produtos termais, a Taipas Termal deu um salto muito grande no seu volume de negócios, na sua atividade, e que nós temos de acompanhar e apoiar, para que a cooperativa continue a desenvolver bem. Agora, preocupa-me esta situação: o que estava… e não digo que não estejam a fazer o seu melhor, mas o hotel termal, que é privado, gostava que cooperasse com a Taipas Termal e apresentassem eventualmente às entidades do turismo e da hotelaria, às entidades de saúde e nomeadamente à Câmara, um projeto de um hotel de excelência, porque tem todas as condições para isso, nesta área da Taipas Termal e da vila das Taipas. Esse é que é um objetivo que interessava trabalhar, porque aquela área, vocês conhecem bem, os vimaranenses conhecem bem, os taipenses, porque lá habitam, ainda melhor, no sentido da sua condição de residentes, a Taipas Termal e aquela área termal precisa de um hotel, eu diria assim, para todos perceberem, um hotel cinco estrelas.

Porque a responsabilidade daquela área é da Turitermas [sobre o investimento da cooperativa municipal no rinque], aquela área de terreno está entregue à própria, da área de gestão da Taipas Termal.

Mas o hotel não é da nossa responsabilidade, mas aí é que eu não concordo. A hotelaria deve ser para os privados. Agora, um conjunto… porque é um ramo específico, não são as Câmaras nem as entidades de turismo nem as cooperativas que devem gerir hotéis ou restaurantes. Não, isso onde funciona bem e onde está bem entregue é ao setor privado. Já os produtos de saúde e das termas tem a ver com necessidades básicas, de saúde das populações, e aí o Estado tem uma palavra a dizer, e relativamente aos preços sociais e à prestação desse serviço público. Agora, hotelaria… quando falo no hotel é para criar ali uma dinâmica, um contexto muito mais favorável a que as pessoas venham à vila das Taipas, se fixem ali na vila das Taipas para terem os cuidados de saúde termal e isso… eu não estou a dizer que… existe um hotel, existam até dois, mas podíamos trabalhar aquela envolvência com os fundos do turismo, os fundos comunitários, com apoio público no sentido de dizermos é fundamental para a vila termal das Taipas, este ativo, este recurso que é o hotel, associado às termas. Era mesmo hotel, como é hotel das termas, associado aos recursos que as termas nos dão. E isso acho que é fundamental, a resposta que colocou… o rinque está muito bem, neste momento está bem feito, não podíamos deixar aquela área sem o rinque desportivo, o rinque era um ativo que ao longo dos anos foi ficando muito estragado, portanto era preciso recuperar, requalificar o rinque, que está muito bem. Agora, quem o devia fazer… enfim, a Taipas Termal quis avançar, agora obviamente tem as dificuldades do esforço despendido, mas está tudo… aliás, não vi muito, até do senhor vereador António Monteiro de Castro, não vi grandes objeções feitas à realização deste esforço, que espero que seja um esforço que não seja de continuar, a própria Taipas Termal, dada a sua dinâmica, enfim, encontre soluções financeiras para o médio e longo prazo.

Ele existe, o hotel, o que é preciso é requalificá-lo, no sentido… aí está, e eu estou a mexer um pouco no que pertence aos privados e ao proprietário do hotel. Se o proprietário do hotel me ouvir, entenda que é para bem, não é para mal, é para potenciar o ativo que tem, em parceria com a Taipas Termal, que pode potenciar fortemente, de modo a que haja um candidatura, se for vontade também do proprietário do hotel, sem a vontade dele não se pode fazer nada, e que possa potenciar uma candidatura aprovada, no fundo do turismo, para a reabilitação deste hotel termal, que é fundamental para as Taipas este hotel termal, e quando falo deste hotel, falo de todos os outros, mas neste que estamos agora a equacionar, porque está lá, é um edifício que se confunde com a própria Taipas Termal, se formos lá ver, do exterior, nem sabemos onde começa a Taipas Termal e onde começa o hotel, porque o edifício é único, a frente do edifício, a bem dizer, é única, mesma cor, mesmo estilo, é a continuação, apenas houve ali uma separação física no interior, de que uma parte é Taipas Termal e outra parte é hotel, daí que eu esteja preocupado, no sentido positivo, no sentido de podermos potenciar este recurso que era fundamental para as Taipas.

Porque as Taipas têm muitos recursos, aliás Guimarães tem muitos recursos, mas Taipas tem muitos recursos, nomeadamente esta área termal, a área do rio, que é uma área muito linda e que pode ser potenciada, todo o parque de lazer na margem do rio pode ser muito potenciado, até em combinação com o parque de Ponte, em ligações pedonais e por ponte, para ligação de uma margem à outra, podem potenciar esta zona em cooperação, era bom que houvesse essa cooperação entre as Taipas e Ponte, de modo a criar ali uma praia fluvial de excelência, e é rico na indústria, nomeadamente das cutelarias, e hoje é muito rico porque tem lá, embora em Barco, mas quem beneficia é a Vila das Taipas… beneficia no sentido mesmo… Barco também beneficia, mas que é o parque de ciência e tecnologia, que é um bem excecional naquela área geográfica. Temos aqui nesta área norte do concelho todas as condições para acrescentar muito a Guimarães.

Monteiro de Castro, vereador da Coligação Juntos por Guimarães

O nosso pensamento é este, é acreditar que a iniciativa privada e o setor público têm boas e más gestões, bons e maus exemplos, infelizmente exemplos que nos chocam, num setor ou noutro, mas temos consciência que a zona das Taipas é uma zona rica sob vários pontos de vista, ecológico, ambiental, tem um rio maravilhoso e tem aquelas termas que são um caso raro no território português, há várias termas, mas enfim, são termas com tradição, com história, com presença de escritores no seu passado, como Ferreira de Castro e tantos outros, que apreciaram aquelas belas termas das Taipas.

E nós sabemos que neste momento, nos tempos atuais, há grupos empresariais com dinâmica muito forte no turismo, com conhecimento acumulado que não existe da parte da boa vontade das pessoas que estão a dirigir. Portanto, nós, com a nossa posição, é ao fim e ao cabo pretender encontrar uma solução que melhor sirva a região das Taipas e a nossa terra, naturalmente. Entendemos que efetivamente a Câmara devia fazer um contacto exploratório, não serve o exemplo da pensão Vilas ou da pensão do passado, em que a gestão era de mercearia e era aquele atraso de vida que todos nós tivemos ocasião de observar.

Note-se que as termas sofreram, no princípio do século XX, uma queda brutal, atingiu todas as termas a nível nacional, e as Taipas não tiveram capacidade, portanto quem estava à frente dos seus destinos não soube encontrar as melhores soluções, mas não seria talvez a melhor entidade para fazer uma boa gestão e projetar a vila das Taipas. Portanto, aquilo que entendemos, de forma resumida, é que a Câmara devia desenvolver contactos exploratórios com os principais grupos que conhecem da matéria a nível nacional e ouvir o que eles têm a dizer e ouvir as propostas deles, e depois comparar com o que está a ser feito. Com estas minhas palavras, não significa que eventualmente se não aparecesse a Câmara, não encontrasse solução alternativa com uma melhor oferta, não excluiria a hipótese de continuar a apoiar e fazer o que está a ser feito.

Agora, acho que devemos querer um pouco mais e ir um pouco mais além, por isso mesmo sugeria que fossem desenvolvidos contactos exploratórios, para como o senhor presidente disse e muito bem, também o hotel eventualmente encontrar uma solução, pacote completo para toda esta área termal, mas também para toda a área que nós sabemos que pode ser desenvolvida. A gente vai a um país, por vezes levam-nos para visitar uma coisa insignificante quando nós temos ali alguns monumentos do melhor que Portugal tem. Penso na Citânia de Briteiros, que aliás tem tido resultados muito positivos, com crescimento assinalável, como cresce todo o turismo, mas a nível da Citânia de Briteiros tem havido um crescimento muito substancial, portanto acho que faria falta de facto pensar na sua globalidade.

Portanto isto é gostar muito da vila das Taipas e não estar contra as Taipas, porque é muito injusto terem sido feitas essas afirmações, porque é falso. Se nós nascemos nas Taipas, gostamos das Taipas, vivemos nas Taipas, temos a nossa relação nas Taipas, portanto é chocante ouvir que não estamos contra as Taipas, isso não pode ser dito.

O que queremos é uma solução diferente para as Taipas, por isso temos sempre o cuidado de ali afirmar que se o nosso pensamento fosse igual ao do Partido Socialista, não seria necessário estarmos a participar neste órgão municipal. Temos ideias diferentes, claro, e acredito que as propostas do Partido Socialista têm tão boas intenções quanto as nossas, nós é que pensamos será uma melhor solução, sem pôr em causa que haja boa-fé da parte das propostas do Partido Socialista.

Em contexto de reunião de Câmara, o órgão que governa dos destinos do município, os temas são quase sempre debatidos a duas caras. Este exercício de dialética política serve para conhecer os argumentos que suportam as aprovações, abstenções ou chumbos que, de quinze em quinze dias, vão marcando a cidade. O seu a seu dono: discursos transcritos na primeira pessoa.
Este trabalho conta com o apoio da:

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