Mais de metade dos refugiados acolhidos em Guimarães já deixou o concelho

O programa “Guimarães Acolhe”, um consórcio da Câmara Municipal e de 17 instituições vimaranenses, que recebe esta segunda-feira, 06, 24 pessoas da comunidade Yazidi, já deu resposta a 43 pessoas com necessidade de proteção internacional. Entretanto mais de metade destes refugiados já deixou Guimarães.

O “Guimarães Acolhe” foi anunciado em outubro de 2015. Os primeiro cidadão acolhidos chegaram a 05 de fevereiro do ano passado. Entretanto, foram acolhidos, ao longo do ano mais 39 pessoas, provenientes da Eritreia, Etiópia, Síria e República Centro Africana. No total, este consórcio recebeu 43 pessoas.

Segundo dados da Acção Social da Câmara de Guimarães, saíram do concelho 23 pessoas, ou seja, mais de metade dos refugiados acolhidos. Este projeto não é exceção a um problema nacional. Segundo um artigo do Diário de Notícias, mais de 200 refugiados do total de 957 que foram acolhidos em Portugal, ao abrigo do acordo da União Europeia (UE) de 2015, já abandonaram o país.

O que tem motivado estes refugiados a decidir arriscar, mais uma vez, começar tudo do zero noutro país, é, segundo a vereadora da Ação Social, Paula Oliveira, o facto de terem a família dispersa pela Europa. De realçar que Guimarães é das poucas autarquias que se disponibiliza a receber qualquer refugiado independentemente da condição e se são família ou não. Nota para o facto destas pessoas quando decidem partir perdem o estatuto de refugiado e o apoio que tinham ao abrigo do protocolo com o Estado Português e a União Europeia.

De fora destas contas estão os refugiados acolhidos em instituições que não fazem parte do “Guimarães Acolhe”, como é o caso do Centro Sociocultural e Desportivo de São Clemente de Sande, que, em parceria com a Plataforma de Apoio aos Refugiados, recebeu um casal com uma criança. Recentemente, Bourak Kaka e Rasha Sheikh tiveram o primeiro bebé filho de refugiados a nascer em Guimarães.

Hoje, 06, chegam a Guimarães 24 pessoas da comunidade Yazidi. Estavam previstas serem 30, mas um dos agregados familiares, composto por seis pessoas, não chega a Guimarães porque um dos elementos está doente. São 11 menores, um deles com nove meses, oito mulheres e sete homens. Sete, incluindo o Lar de Santa Estefânia, o Arciprestado de Guimarães e Vizela e a Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais, das 17 instituições envolvidas no consórcio – que responde ao apelo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e do governo português para prover o acolhimento de pessoas com necessidade de proteção internacional – vão receber estas famílias. Deste grupo de 24 pessoas, vem apenas um cidadão isolado sem a família, que deverá ficar alojado no Recolhimento das Trinas, da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães.

A comunidade yazidi tem sido particularmente massacrada pelos terroristas do Daesh com o objetivo de retirar todas as influências não muçulmanas do Iraque e da Síria. Os cidadãos que chegam esta segunda-feira são provenientes do norte do Iraque.

Texto: Catarina Castro Abreu
Foto: AFP/Getty Images/Nikolay Doychinov in http://obviousmag.org/refugiados/