Um barco à deriva.

Print

Nos últimos meses Guimarães tem assistido a uma avalanche de artigos de opinião e comentários sobre o futuro da cidade e do concelho e sobre a falta de ideias da edilidade relativa a esta matéria.

Aos interessados deixo uma lista (necessariamente incompleta) dos artigos e das opiniões que foram sendo publicadas sobre este tema:

Sara Martins: “O Preço de Ser Vimaranense”.

José da Silva Mendes: “A Rede Viária e as Nove Vilas do Concelho”.

Samuel Silva “Nenhuma Ideia de Cidade” e “Nenhuma Ideia de Cidade (II)”

António Rocha e Costa: “Verdes São os Campos da Cor do Cimento”.

Vânia Dias da Silva: “Um Campus da Justiça em Guimarães”

Filipe Fontes: “A Projecção das Cidades”

Tiago Laranjeiro: “Duas Ideias de Cidade

Alexandre Barros da Cunha: “Desordenamento” , “Zero Ideia de Cidade” e “A Terceira Lei de Newton Acção – Reacção” .

Paulo Dumas: “Porque não há uma ideia de cidade

Joaquim Teixeira: “Vistas Largas”

António Amaro das Neves: “Já nem Santa Marinha nos Vale”

Wladimir Brito: “Pela Cidade”

João Pedro Pinto: “Reserva de Valor

Rui Armindo Freitas: “Pensar a Cidade”

Associação Muralha: “Muralha manifestou ao Presidente da Câmara preocupação pela construção de prédio na Costa junto à Pousada”.

Todas estas opiniões, artigos e comunicados questionam ou criticam as políticas da cidade em várias matérias: urbanismo, defesa do património, usos do centro histórico (e a sua “disneyficação”), mobilidade, ecologia, captação de investimento, políticas culturais, etc.

Até o Arq. Filipe Fontes, antigo director do Departamento de Urbanismo da Câmara de Guimarães e actual técnico da autarquia, no seu artigo “Projecção das Cidades”, afirma sem medo que de “evento em evento, esquece-se da cidade enquanto casa e do conforto que os seus habitantes (…) devem possuir. A ânsia do sucesso é tanta que a atracção por mais (e mais) pessoas é ainda maior, preenchendo-se o espaço público de tal forma que não se deixa usufruir o evento, nem se deixa apreciar a oferta cultural, nem se deixa viver o espaço público quem o percorre, nem se deixa marca cultural de crescimento e cidadania.” Fontes critica ainda a comunicação institucional da cidade, dizendo que a mesma está transformada numa espécie de forma de publicidade em que “tudo se perspectiva na exaltação, excepcionalidade e autoria do acontecimento” e termina o artigo refletindo sobre a problemática da captação de investimento. Convirá referir que Filipe Fontes, que em Março se demitiu do cargo de diretor do Departamento de Projetos e Planeamento Urbanístico da Câmara Municipal de Guimarães por “cansaço”, nunca se refere directamente a Guimarães e que, infelizmente, muito do que diz se pode aplicar a muitas cidades do nosso país. Mas para bom entendedor meia palavra basta.

A todas estas críticas a Câmara Municipal de Guimarães responde com um silêncio ensurdecedor, quebrado apenas por algumas medidas, artigos e entrevistas avulsas que, pela sua falta de conteúdo e coerência, se limitam a demonstrar o que todos já sabem: neste momento a Câmara não tem nenhuma estratégia para nem para a cidade nem para o concelho.

Guimarães é neste momento um barco à deriva.

Sendo este o meu primeiro artigo no Duas Caras não posso terminar sem agradecer à Catarina Castro Abreu o convite que me endereçou para colaborar neste jornal e a oportunidade que me deu para partilhar a minha opinião.

Francisco Brito (Guimarães, 1983). Licenciado em História pela Universidade do Minho. Investigador do CITCEM (com interesse em história política, social e militar). Livreiro alfarrabista.